Posts Tagged ‘Propostas da gerência.

09
Mar
10

Unlock thoughts: “As viagens de Rosa Vaz”

ASS: Manuel A. Fernandes

Cidadã do mundo, autodidacta de formação e artista por vocação.

Haveria mil e uma maneiras de introduzir esta exposição e de condensar nestas linhas, o espírito rebelde e a contagiante iniciativa e intensidade da sua mentora. Porém, e não tendo qualquer pretensão em fazê-lo, essa seria uma tarefa ingrata para qualquer escriba que se debruçasse no pitoresco e viciante mundo de Rosa Vaz. Com um vasto currículo de exposições individuais e colectivas em Portugal e no estrangeiro, a pintora veste também a capa de promotora cultural com um grande enfoque na lusofonia que serviu/serve de fonte inesgotável para a sua (re)criação individual. A esse respeito, são impressionantes os papeis que esta multifacetada vem desempenhando na defesa das artes: pintora, artista plástica, activista e promotora, membro de várias associações culturais no norte do pais e titular do projecto ARTÁFRICA da Fundação Calouste Gulbenkian, a artista está representada numa extensa lista de colecções particulares, públicas e institucionais.

Rosa Vaz ao lado da sua "cidade branca"

Posto isto, “Unlock thoughs” não é um mero título insípido e vago copiosamente destinado a servir de cara a mais uma exibição de pintura e cerâmica. Ultrapassa os formalismos conceptuais e vem marcar uma posição sólida e honesta quanto ao estado de espírito da sua portadora. A intencionalidade e a liberdade do conjunto das vinte e uma obras, expostas na Galeria Actual, traduzem na sua essência mais uma fase da vida desta angolana adoptada por Braga. A “mente aberta” exige um desafio constante ao observador, uma experiência sensorial nas incidências aí retidas. Uma partilha de impressões, emoções e truísmos do “eu artístico”, que impele a sua desconcertante intimidade na figura das suas telas. Um processo de intenções de Rosa Vaz  que não permite a indiferença ao receptor e que nos confronta com o seu “nascer continuado”, nas palavras de Merleau-Ponty. Os presentes na inauguração lisboeta responderam afirmativamente.

Fruto da sua forte personalidade e das raízes inatas da sua África natal, a artista parte para uma conjugação enformada das culturas que lhe são afectas e pelo meio ocidental e citadino que a envolve. É, precisamente, nestas duas vertentes basilares que a sua extensa obra a reflecte, representada por fortes tonalidades e contrastes, pelas linhas ritualistas e exóticas e pelas cidades e vivências sobrepostas no seu imaginário. Uma vez, a visão de uma inocência angolana perdida no caos cosmopolita da polis, noutras a transformação sofisticada da técnica apreendida no fundo telúrico e mágico da sua meninice.

Essa visão dicotómica entre as raízes angolanas e o abstraccionismo europeu são os sinais mistos da singularidade artística que a torna num caso sério e verdadeiramente único no panorama nacional. Com uma vasta carreira de mais vinte anos feita a pulso e de uma forma estóica e determinada, Rosa Vaz veio assinalar com mais esta exposição qual a verdadeira dimensão da arte na sua vida – indissociável dos seus prazeres mundanos e das rotinas diárias. Uma entrega avassaladora.

Rosa Vaz, cidadã do mundo, autodidacta de formação e artista por vocação.

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15
Maio
09

É aproveitar enquanto ele anda por aqui

Há uma certa fatalidade nonsense que me atrai neste tipo. Uma certa revelia antisocial que me está nos genes. O gajo chega, descasca, distribui lenha e vai-se embora. Um tipo saudável, pois então.  Chama-se Luís Pedro Nunes e esteve a escrever ontem no União de facto.

07
Abr
09

Terramoto com o epicentro no Passos Manuel

Verdadeiramente extasiante. A cadência repetitiva de várias linhas sonoras que se entrenhavam no espírito. Uma persistência disciplinada em arrastar e maximizar a canção. Aquela canção demorada, improvisada, visceral. A viagem por Seattle, a passagem pelo Midwest, até à aterragem final no Porto. A evolução criativa de quatro personagens apaixonantes que saboreiam cada nota que tocam. A devoção total dos seus fieis discípulos que ululavam por mais. Um ambiente etéreo, de uma expressividade musical em bruto. Ficaram-se pela meia noite e aquele silêncio tornou-se ensurdecedor. A viagem de regresso – ou a extensão da viagem – levitou uma atmosfera hipnótica, consumida pelo drone.

Os Earth vieram à Invicta no passado dia 31 de Março… e eu estive lá! Fiquem com a “nova” deles.

06
Maio
08

Propostas da gerência #3.

Uma Segunda Juventude

Título original: Youth Without Youth
De: Francis Ford Coppola
Com: Tim Roth, Alexandra Maria Lara, Bruno Ganz
Género: Rom, Thr

EUA, 2007, Cores, 124 min.

Sinopse
Dez anos após o seu último filme, Francis Ford Coppola regressa à realização com “Uma Segunda Juventude”. Aos 70 anos, o professor de linguística Dominic Matei (Tim Roth) sobrevive miraculosamente após ser atingido por um relâmpago. No hospital, enquanto recupera, os médicos assistem incrédulos ao rejuvenescimento físico do professor. Esse rejuvenescimento é acompanhado por um desenvolvimento intelectual inexplicável que chama a atenção de cientistas nazis, obrigando o professor a exilar-se.
Em fuga, Dominic reencontra Laura – o amor da sua vida – e luta para terminar a sua tese sobre as origens da linguagem humana. Mas quando a sua pesquisa põe em perigo Laura, Dominic é forçado a fazer uma escolha entre o trabalho de uma vida e o seu grande amor.

Retirado de: Cinecartaz do público.

(Ver crítica mais à frente)

18
Mar
08

Proposta da semana #2.

The Lovebirds

Ano: 2007                                                                                                   lovebirds.jpg
Estreia nacional: 13 de Março de 2008
País: EUA, Portugal
Género: Drama
Distribuidora: Midas Filmes

Realização:
Bruno de Almeida

Intérpretes:
Michael Imperioli, Joaquim de Almeida, John Ventimiglia, Rogério Samora, Ana Padrão, Drena de Niro.

Sinopse:
Em Lisboa, no decorrer de uma noite, seis histórias desenrolam-se em simultâneo. Um americano, no metro, cruza o seu olhar com uma rapariga e não resiste a persegui-la pelos becos de Alfama, na lembrança de um outro amor, a sua mulher, já falecida. Dois malandrins, sem eira nem beira, dedicam-se a pequenos roubos e não sabem se querem ser amigos ou separar-se. Um realizador de cinema faz um filme sobre boxe, sabendo que aquele será o seu último combate. Um arqueólogo que um dia chegou a Lisboa e que por cá continua, muitos anos depois, sem mesmo à noite abandonar a sua escavação e o seu amigo que tenta pela última vez trazê-lo à vida. Um taxista emigrante apaixonado por uma prostituta, que assassina, para logo a seguir ajudar uma jovem a dar à luz. Um piloto de aviões que, fora do matrimónio, acaba por se meter em situações embaraçosas…

08
Mar
08

Proposta da semana #1

Filme: “A morte do Sr. Lazarescu”

Título Original: “Moartea domnului Lazarescu” (2005)

Realização: Cristi Puiu

Argumento: Cristi Puiu & Razvan Radulescu

Actores: Ion Fiscuteanu – Mr. Lazarescu
                Luminita Gheorghiu – Mioara Avram
                Gabriel Spahiu – Leo
                Doru Ana – Sandu Sterian

Um cheirinho do Leste, numa comédia melodramática irrepreensivelmente bem feita que mostra um retrato realista dos dias de hoje confirmado pela teoria dos irmãos Cohen de que “Este país não é para velhos”. Inserindo-se na velha escola europeia de cinema de autor, Cristi Puiu oferece-nos de bandeja a crueldade e indeferença psicoafectiva das sociedades modernas de uma forma simples mas nem por isso agradável. A não perder. Está em cartaz, na segunda, dia 10 de Março no pequeno auditório do Teatro de Vila Real, na rubrica “Cinema sem pipocas”.

 [Ver crítica] 




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