Archive for the 'Religião' Category

21
Jul
08

Epístola do apóstolo S. César das Neves aos Beatos. Irmãos…

…na próxima sexta-feira passa o 40.º aniversário de um dos documentos mais controversos e gestos mais corajosos do nosso tempo. A 25 de Julho de 1968 o Papa Paulo VI publicou a encíclica Humanae Vitae sobre a regulação da natalidade. Dois meses após o Maio de 68 e três anos depois do Concílio Vaticano II, a sociedade e a Igreja encontravam-se em grande turbulência. Vivia-se a revolução sexual, com a pílula contraceptiva transformando os costumes.
Papa João XXIII nomeara em 1963 a Comissão para o Estudo dos Problemas da População, da Família e da Natalidade, com teólogos e leigos, para lidar com estas questões.
O memorando final, de Junho de 1966, mostrava a Comissão dividida sobre a permissão do uso da pílula pelos casais católicos, com a maioria a favor. O Papa, após dois anos de reflexão, determinou na encíclica a posição da Igreja.

O que chega a ser pornográfico neste texto (ao contrário das actividades modernaças e heréticas dos novos tempos) é a falta de argumentação legível, o excesso de lugares-comuns destes ultra conservadores, a insistência em não querer ver; em não querer o adaptar em nome de um estado de estupor quase ininterrupto destas religiões monoteístas. A Igreja Católica já perdeu o rumo do vil progresso e da malfadada modernidade para muitos crentes e leigos. Resta saber onde chegará esta cruzada dos novos tempos, ao tentar justificar o injustificável e colando a cacos teorias e teses de «bradar aos céus». Pois e assim me confesso, seguramente que o  avanço cultural e social do ocidente não se deve só ao brilhantismo dos nosso humanistas, cientistas e artistas mas também ao carácter tolerante e benemérito do nosso credo. É imperioso recuperá-lo.

24
Fev
08

Crónica Dominical

Domingo, 8h30 matutinas. Levanto-me atarantado com o alarido familiar, amaldiçoando a ressaca do noite passada com o meu mau acordar crónico.Com a cabeça a latejar dirijo-me para a cozinha. Tomo o café à pressa, visto o casaco e ouço as “últimas” na rádio: o crescimento estagnou no último trimestre, o F.C.Porto ganhou de novo e mais um caso arquivado em qualquer tribunal deste nobre País. Tudo normal.

Ao sair de casa, encontro-me com os “amigos de época” e partilho com eles a minha insatisfação dominical, naquela manhã tão bonita para dormir.

Chegados ao passal da igreja, deparo-me com as beatas e os seus livros de coro comentando entre si como foi bonito o último baptizado paroquial e como desafinou o grupo coral.

 Agrupam-se em duas filas para serem as primeiras a dar os bons-dias ao Padre.

O padreco, como lhes chamam os varonis bebedores da taberna, gozando com o seu sotaque Beirão ao mesmo tempo que rejubilam por nunca lhes ter sido imposto o celibato. Na realidade, pensam eles, isto de ser padre até compensa e depois se quisermos comprar algo, naquele aperto do fim do mês, basta fazer uma colecta à comunidade invocando património de Igreja. Fácil, não é?

Engraçado! Estes preceitos logísticos sempre me exclamaram algo, como se de situações diferentes se tratassem. A Comunidade na Igreja, a populaça na praça pública.

Mas adiante, chegando à arcada da igreja contemplada pelos atrasados, do qual eu sempre fazia parte, observo a azáfama das senhorinhas à volta do sacerdote escolhendo a dedo os acólitos. Acólitos esses, filhos dessas mesmas senhoras e dos rudes taberneiros.

Um micro ambiente social que possibilita não só estas meras coincidências como potencia o embrião da coscuvilhice e o divertido confronto mental entre os mais bem vestidos da Eucaristia.

E eu, lá no fundo, um dos últimos a entrar, com as calças rotas e de olheiras salientes esforço-me por distinguir aquele excêntrico quadro à minha frente duma qualquer gala da casa do povo, em comemoração do rancho folclórico local. Mas o que interessa, é chic! Mesmo que para isso seja preciso usar uma saia verde com uma blusa violeta e bolsa branca. Desde que, e isto que fique bem claro, seja da Gucci, Louis Vuitton ou Tiffany’s.

As pernas começam a tremer (estou de pé) e as despesas da última noite começam a ser pagas. Os meus amigos riem-se do meu estado enquanto o Padre introduz o tema da homilia: a valente descasca que Bento XVI deu aos seus súbditos cardeais Lusos.

Vai ele debitando a sua Santa afiliação em saco roto, inicio eu a minha reflexão, bem longe daquele altar, sobre o porquê das palavras do ilustre alemão quando criticava a falta de empenho da sua Selecção Portuguesa na convocatória semanal e o excesso de protagonismo das suas Sagradas vedetas.

Convenhamos, a tela pintada por Ratzinger era dedicada àquela Assembleia de Fiéis que eu testemunhava. Como podiam ser aqueles memoráveis dias de fanatismo religioso a que muitos alcunham de Culto Mariano. Porém, sejamos sinceros, neste caso o artista não necessita estar presente para reproduzir a fealdade da sua obra. Como Sua santidade o disse, eu estava a presencia-lo e imaginava em outras tantas igrejas por esse País fora.

Pobre Papa. Imbuído na sua doutrina, ousa criticar os seus caudilhos portugueses mas esquece-se que isso de nada lhe valerá enquanto o seu estatuto de transição não se esfumar.

Enfim, finda a homilia, ajoelham-se todos num acto de supremacia Ocidental perante aqueles retardados que irracionalmente se valem de Meca com o rabo virado para o Céu. Acotovelam-se para receber o Corpus Christii e tentam sacar das suas velhas carteiras a maior nota que tiverem.

Revoltam-se logo a seguir, injuriando o padre, por este ter omitido a missa do Sétimo Dia, nas suas notas finais.

Acaba a celebração.

E eu, triste farrapo naquele manto de virtudes, esgueirando-me pela ponta e recebendo os últimos piropos da minha geração, fico a pensar que o Papa Bento, afinal até tinha razão.         




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