Archive for the 'opinião' Category

14
Jul
09

Opinião Pública: Bases e Fundamentos

Instrumento de enorme valia nas sociedades liberais democráticas para a propagação de ideais e posições cívicas, a opinião pública assume-se hoje em dia como um grande indicador de representatividade colectiva nos espaços de decisão politica e social. Aliada a um cada vez maior despertar de interesses pluridisciplinares, a opinião pública foi ganhando ênfase na condução dos aspectos mais acessórios até aos mais determinantes, na vida política das pessoas. Servindo como fio de condutor entre os sectores de poder e os beneficiários dessas decisões, ela encerra em si grande da parte da responsabilidade social própria dos processos democráticos, exercendo uma liberdade individual implementada na representatividade de um dado grupo social. Segundo o historiador, Maxwell McCombs, opinião é o “conjunto de crenças a respeito de temas controvertidos ou relacionados com interpretação valorativa ou o significado moral de certos factos” (McCombs 1972: p.25). Na verdade, a opinião pública difere substancialmente da opinião individual, pois é de uma assinalável dinâmica, bastante elaborada pois não corresponde a uma mera soma de opiniões casuísticas. Sendo na sua essência uma parcela comunicativa como composição de uma mensagem, ela é influenciada pelos canais de comunicação massiva e pela comunidade que a cerca ou pelo sistema social de um país. A vontade espontânea da população nem sempre corresponde à complexidade da opinião pública, já que se relaciona com vectores mais profundos e estáticos (Bohman 1996: 178-181).

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21
Jul
08

Epístola do apóstolo S. César das Neves aos Beatos. Irmãos…

…na próxima sexta-feira passa o 40.º aniversário de um dos documentos mais controversos e gestos mais corajosos do nosso tempo. A 25 de Julho de 1968 o Papa Paulo VI publicou a encíclica Humanae Vitae sobre a regulação da natalidade. Dois meses após o Maio de 68 e três anos depois do Concílio Vaticano II, a sociedade e a Igreja encontravam-se em grande turbulência. Vivia-se a revolução sexual, com a pílula contraceptiva transformando os costumes.
Papa João XXIII nomeara em 1963 a Comissão para o Estudo dos Problemas da População, da Família e da Natalidade, com teólogos e leigos, para lidar com estas questões.
O memorando final, de Junho de 1966, mostrava a Comissão dividida sobre a permissão do uso da pílula pelos casais católicos, com a maioria a favor. O Papa, após dois anos de reflexão, determinou na encíclica a posição da Igreja.

O que chega a ser pornográfico neste texto (ao contrário das actividades modernaças e heréticas dos novos tempos) é a falta de argumentação legível, o excesso de lugares-comuns destes ultra conservadores, a insistência em não querer ver; em não querer o adaptar em nome de um estado de estupor quase ininterrupto destas religiões monoteístas. A Igreja Católica já perdeu o rumo do vil progresso e da malfadada modernidade para muitos crentes e leigos. Resta saber onde chegará esta cruzada dos novos tempos, ao tentar justificar o injustificável e colando a cacos teorias e teses de «bradar aos céus». Pois e assim me confesso, seguramente que o  avanço cultural e social do ocidente não se deve só ao brilhantismo dos nosso humanistas, cientistas e artistas mas também ao carácter tolerante e benemérito do nosso credo. É imperioso recuperá-lo.

17
Maio
08

O Antídoto.

“E se fizéssemos um livro e um disco como nunca se fez?” E fizeram. Duas das entidades culturais mais significativas deste país juntaram-se num projecto ímpar reunindo as mais vastas impressões, receios e inspirações que acalentam, sob o signo antídoto. Entre a gélida Escandinávia e o Sul do mediterrâneo os actores deste projecto concentraram esforços e seduzidos por uma forma comum de ver as coisas, produziram uma obra pioneira e primordial. O que é o antídoto na recepção do binómio Moonspell/J. L. Peixoto? Pode ser tudo sem ser nada. Aquela sede primária, vital e obsessiva num cenário de afogamento letal e triunfante. O último e grande suspiro que se liberta de um moribundo. Um grito mudo e visceral, rompendo um silêncio que nos sufoca. A capacidade de escolher a nossa “verdade”. A liberdade de ceder essa “verdade” aos outros.

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14
Maio
08

Achas que o jornalismo on-line vai substituir a imprensa em papel?

Esta é a pergunta que se impõe e que tem levado ao impasse da nova geração de jornalistas que materializa toda a frustração na continuidade dos seus futuros à frente das redacções e a ameaça invisível do trabalho precário e escassez de vagas. Numa amena troca de palavras, discutiu-se a presença dos suportes multimédia no exercício jornalístico moderno à conversa com alguns colegas meus da universidade, na disciplina de Economia política dos Media. Contraditório, múltiplas perspectivas e aditamentos é o que nos reserva este debate que vos transcrevo de seguida. Aproveitem:

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10
Maio
08

O que de melhor se escreveu por aí, em Abril.

20
Abr
08

A urbe condensada dum diário.

Artista: Benga

Album: Diary of an Afro Warrior

Ano: 2008

Editora: Tempa/Flur 

Esta descoordenação musical revela-se o verdadeiro trunfo deste “diário” totalmente submerso em ambientes soturnos e pouco transparentes sob a síncope sub-grave que atravessa o seu epicentro. Pressente-se aqui algo de bastante inovador quase alienável. Atesta-se a fertilidade do dubstep pelas mãos deste teenager e regista-se o seu estado de saúde: referencial.

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13
Abr
08

Shot da semana #3

«O acto de apontar o dedo (Media) é uma das mais dignas e difíceis missões cívicas, dentro de um Estado de direito. (…) O jornalista necessita perceber quer ser limitado de um ponto vista funcional, é também uma qualidade do jornalista. (…) O político não estará obrigado a contestar a qualquer pergunta. Pode contorná-la ou no máximo, omitir a resposta.»

by Miguel Portas

Ainda na ressaca da passagem do bloquista pela minha universidade, convém dissertar por alguns momentos as suas palavras, idas ao encontro do papel do jornalista na sociedade, arrogadas pela surpresa e heterodoxia com que foram proferidas a algumas dezenas de formandos na especialidade.
Se a primeira parte da pergunta ainda levantou alguma consenso nas hostes, o que faltava de polémica e discórdia revelou-se por entre fracções de palavras que pouco combinam como «limitado» e «jornalista» ou «político» e «omissão». E o caso não foi para menos, embora não seja um indefectível das suas teorias Miguel Portas só veio teorizar a prática corrente. O jornalista não precisa de ultrapassar nem ser ultrapassado pelo busílis do seu trabalho. Na mesma linha, o político moderno que ainda representa os valores adquiridos de uma democracia republicana (e nisto gostava de ser bem explícito) não necessita, nem deve se dispôr a um interrogatório inconclusivo, desnorteando a sua “verdade partilhada”, devendo isso assim assumi-la e defende-la usando as ferramentas possíveis e contempladas no seu rol de direitos.
Terminando, nem tudo o que parece é. E se do lado do jornalista o papel é escrutinar e dissuadir a seu favor o político no seu papel social, não podemos exigir a estes que se fragilizem dando o corpo às balas de qualquer inquiridor.




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