Archive for the 'Mitos' Category

19
Abr
09

Saga, coisas que gostava ter escrito

Uma das coisas que mais me diverte nas patacoadas e mitos de heróis beatos e histórias da carochinha, com príncipes encantados e lobos maus é a facilidade com que a população em geral alinha nessas construções sociais. E a consequente dificuldade em aceitarem que muitos vultos e estrelas elevadas ao altar são comuns mortais como nós. Comem, vomitam, choram e cagam como nós. E na senda faliciosa dessas vidas, nós preferimos idealizar à nossa maneira do que encaixar o choque que nos expõe à verdade. São os tais mitos urbanos que muitas vezes só servem para distrair. E que servem de publicidade para alguns beneficiários que se alimentam dessas estórias. Todos nós conhecemos, mil e uma lendas à volta do Ozzy, dos Mötley Crüe ou dos Zeppelin. Lendas que na nebulosidade da sua natureza nunca foram confirmadas. Pessoalmente sempre desconfiei das biografias autorizadas e tenho razões para tal.
Serve isto para eu babar num texto escrito à uns tempos por um iluminado devasso, de graça Tiago Galvão, que desmonta o conto de fadas a que foi votada a vida de um dos maiores ícones do século XX. Frank Sinatra, foi dono e senhor de uma das maiores vozes sempre. Mas era também um racista, um misógino, um boémio decadente. Adorei este texto que encontrei aqui, depois de alguma pesquisa na net. Deixo-vos, então, com o que interessa.

Sinatra e as mulheres.

41rszx5m2vl_ss500_1George Jacobs era escarumba, judeu, mordomo de Frank Sinatra e o último dos Rat Pack. Em Mr.S The Last Word On Frank Sinatra esmiúça os pormenores mais sórdidos da relação de Sinatra com JFK, a Máfia e sobretudo as mulheres: Ava Gardner, Kim Novak, Natalie Wood, Sophia Loren, Grace Kelly, Lauren Bacall, Marilyn Monroe, Mia Farrow, senhoras prostitutas, quecas e semi-estrelas. Joe Kennedy, pai de JFK, que torceu e apostou em Hitler durante a Segunda Guerra Mundial e era famoso por contar anedotas aos amigos (‘Sabes qual é a diferença entre uma pizza e um judeu? A pizza não chora a caminho do forno’), enriqueceu primeiro a vender álcool durante a proibição, depois com um estúdio em Hollywood e por último com o jogo, casinos e afins em parceria com a máfia que particionou a eleição do filho. Através de Sam Giancana (padrinho de Chicago), convidou Sinatra e os Rat Pack para a campanha de JFK, o que lhes valeu os votos de milhões e milhões de pré-hippies. Aliás, Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis, Jr. e companhia começaram por se chamar O Clan, mas isso era demasiado parecido com Ku Klux Klan e durante as eleições mudaram para Rat Pack. Se contarmos que no dia das eleições JFK ainda estava empatado com Nixon e que a máfia tinha pessoal espalhado por toda a América cuja especialidade era ‘falar com pessoas’, podemos dizer que Sinatra e a máfia puserem Jack Kennedy na Casa Branca. JFK e Sinatra estavam unidos pelo melhor amigo, Jack (Jack Daniels), e o ‘been there, fuck that’. Chegaram a partilhar Marilyn Monroe e Judy Campbell, uma Elizabeth Taylor menos atarracada e prostituta de Sinatra. Que preferia as profissionais (chegavam, viam, chupavam e iam embora sem fazer barulho) às amadoras (gostavam de falar depois do sexo sobre o ‘depois do sexo’ e Sinatra só tolerava ser acordado por um broche; seguia a filosofia ‘blow me or blow out’). Ava Gardner foi o grande amor de Frank Sinatra. Tinha tudo: pernas, cara, inteligência, sentido de humor, mamas que constituíam uma excepção às leis de Newton, e aqueles olhos de lince. Num mundo perfeito, Ava Gardner seria uma prostituta que eu poderia pagar. Durante duas décadas, mais de 10 anos após o divórcio, milhares de prostitutas (uma por noite, todas as noites), centenas de estrelas em ascensão através do broche, Lauren Bacall e Marilyn Monroe, Sinatra continuaria apaixonado por Ava. Todas as canções eram para ela. Tudo o que fazia, para a reconquistar ou esquecer. Se Humphrey Bogard era o seu ídolo e Puccini o seu compositor, Ava Gardner era a sua musa. Um antigo agente de Hollywood (Swifty Lazar) costumava dizer: ‘todos os falhados são porreiros porque têm tempo para ser porreiros’. E como Sinatra até quando estava em cima estava em baixo (e quando estava em baixo, estava mesmo em baixo), era a definição de um tipo porreiro, ou seja, um falhado, mas um belo falhado. Nunca jantava antes da 1:00. O pequeno-almoço não era a refeição mais importante do dia porque simplesmente não era refeição, nunca se levantava antes das duas e toda a comida era sintetizada à italiana. Gostava de largar piadas nos amigos arraçados: ‘O que é longo e duro num preto? A terceira classe’. Kim Novak, a primeira grande estrela depois de Ava, tinha as coxas demasiado abrutalhadas e perdeu-a para Sammy Davis Jr. que quase a perdeu para a própria vida quando esta o deixou. Descobriu Natalie Wood quando esta era (bem) menor. Mais tarde viria a casar com Chaplin e Roman Polanski, mas foi com Sinatra que teve ‘aulas de canto’. Andou com Sophia Loren, mas ainda amava Ava Gardner e ela era daquele tipo de mulher que queria ser sempre a número um. Grace Kelly escapou à primeira, enquanto faziam um filme juntos com Bing Crosby (um dos poucos homens que intimidava Sinatra), mas não à segunda. Quando descobriu que o seu mordomo e o príncipe do Mónaco, marido de Grace, se davam bem, costumava mandá-lo entreter o príncipe enquanto ele tirava o pó à prata do reino. Depois de Bogard morrer, Sinatra decidiu cuidar dos despojos e começou a sair com Lauren Bacall. Estiveram juntos um ano, mas também não deu certo. Tinha ciúmes de Ava, a quem Sinatra ligava todas as semanas e de quem tinha fotografias espalhadas pela casa. Acabou com ela pelo telefone. Marilyn Monroe amava-o, mas era uma porca suicida. Passava semanas com a mesma roupa, recusava-se a usar tampões quando vinha o demónio, menstruava-se na cama e emborcava soporíferos como se fossem pilas. Mia Farrow era uma Julia Roberts ainda mais avacalhada com peito à Kate Moss. Era uma Ava Gardner ao contrário, sem corpo, sem classe, sem sentido de humor, hippie e, como dizia Dean Martin, mais nova do que o seu Scotch. Mas deu em casamento. E como todos os casamentos, em divórcio. Ela queria ter filhos e isso, para Sinatra, era como uma sopa de minhocas para um germofóbico. Mas por causa de Farrow, também acabou a relação de duas décadas com o seu querido escarumba (como costumava tratá-lo) e leal amigo, George Jacobs, o mordomo. A sua última mulher foi Barbara Marx, casada com Zeppo Marx, o único dos irmãos Marx que não tinha piada. Esteve com ela desde 72 até à sua morte, em 98. Jacobs chegou a perguntar-lhe o que via nela: ‘Grace Kelly, quando fecho os olhos’. Quando se reencontraram, anos mais tarde, por breves segundos à porta de um hotel, Jacobs começou a chorar. Antes de o deixar, Sinatra pousou-lhe a mão no ombro: ‘Esquece isso, miúdo’. by Tiago Galvão.

15
Abr
09

O criador de labirintos

Fundación Mítica de Buenos Aires

¿Y fue por este río de sueñera y barro
que las proas vinieron a fundarme la patria?
Irían a los tumbos los barquitos pintados
entre los camalotes de la corriente zaina.

Pensando bien la cosa, supondremos que el río
era azulejo entonces como oriundo del cielo
con su estrellita roja para marcar el sitio
en que ayunó Juan Díaz y los indios comieron.

Lo cierto es que mil hombres y otros mil arribaron
por un mar que tenía cinco lunas de anchura
y aún estaba poblado de sirenas y endriagos
y de piedras imanes que enloquecen a la brújula.

Prendieron unos ranchos trémulos en la costa,
durmieron extrañados. Dicen que en el Riachuelo,
pero son embelecos fraguados en el Boca.
Fue una manzana entera y en mi barrio: en Palermo

Una manzana entera pero en mitá del campo
presenciada de auroras y lluvias y sudestadas.
La manzana pareja que persiste en mi barrio:
Guatemala, Serrano, Paraguay, Gurruchaga.

Un almacén rosado como revés de naipe
brilló y en la trastienda conversaron un truco;
el almacén rosado floreció en un compadre,
ya patrón de la esquina, ya resentido y duro.

El primer organito salvaba el horizonte
con su achacoso porte, su habanera y su gringo.
El corralón seguro ya opinaba: YRIGOYEN,
algún piano mandaba tangos de Saborido.

Una cigarrería sahumó como una rosa
el desierto. La tarde se había ahondado en ayeres,
los hombres compartieron una pasado ilusorio.
Sólo faltó una cosa: la vereda de enfrente.

A mi se me hace cuento que empezó Buenos Aires:
La juzgo tan eterna como el agua y el aire.

Jorge Luis Borges, 1929

11
Abr
09

A vitória da política

Num país que antes de ser racista é rácico, Barack Obama é multirracial. Quem melhor do que ele para perceber as regras do jogo. A fobia concertada contra o Islão e a América dividida são terreno fértil para ele. Obama é um cidadão do Mundo. É um homem que sabe pensar e inferir sobre as dialécticas de hoje. Compreendeu que o único caminho para a paz é muitas vezes dar o braço a torcer em questões irrelevantes. Compreendeu os meandros do fenómeno mediático e jogou com ele. Tornou-se para muitos, a bomba de oxigénio de um mundo asfixiado por oito anos de desastrosas políticas bélicas, ambientais e cívicas. (Recomendo por isso a leitura do seu segundo livro, de uma sagacidade e inconformismo tais que lhe grangearam um número bastante simpático de detractores dentro e fora do partido.)
Não farei grande alarido panfletário à volta do selo de garantia Bush. Dispenso até. A turba já colhe a fruta podre dos senhores Wolfowitz, Greenspan, e Cheney para os mitigar de forma masoquista em mais um testemunho incendiário. Estas linhas servem propósitos mais nobres e optimistas. E falam de um país que converteu a sua herança segregacional e estrutura fragmentária a um léxico social de integração. Um país que eleva a competitividade, o trabalho e a meritocracia à razão da sua existência. Um país que apesar das disparidades de vária ordem soube valer a sua representatividade. Soube acompanhar o fluxo crítico a um mundo desregulado, optando por uma verdadeira alternativa. Obama conseguiu corporizar essa alternativa.
Os sobas deste confuso mundo – Chávez e Ahmadinejād – desvalorizarão a mudança pois não lhes interessa nem uma América forte, nem um novo paradigma de relações internacionais. Os nativos que respondem a uma miríade de credos, não o hão-de imaginar como um anjo alado do contra-apocalipse Bush, mas sim como uma dádiva terrena da gloriosa democracia Americana. Para a Velha Europa, sempre disposta à canonização do pacifista anunciado, historicamente socialista e liberal de costumes que se debruçe na cooperação multilateralista e nos seus próprios problemas. As questiúnculas do salvador bíblico e do restabelecimento da normalidade (seja lá o que isso for) não apagam essa “audácia da esperança”, mas seria um lamentável tiro no pé concentrar as expectativas e desafios de um mundo livre, num só homem. A Europa precisa de líderes na real acepção da palavra. Pensadores e intelectuais que não adormeçam sobre o topete ocidentalista da superioridade cultural. E isto é muito mais importante do que parece.
Quanto a mim, irremediável céptico e ateu militante, a eleição do 44º presidente dos EUA representa muito mais do que isso. Representa a superação individual “ad hominem”, uma liberdade e desafio radical à condição conservadora do homem, dito pós-moderno. Representa a vitória da política sobre o circo. Mais, pornograficamente política. Não espero, nem sequer idealizo, respostas que ele não possa dar. Sou da opinião que a verdadeira mudança vai ser feita indoors. Não consigo alinhar além disso, na ladaínha peregrina do islâmico como “bom inocente” nem da negação do terrorismo como flagelo do novo século. Acho isso de uma hipocrisia total. Uma cultura que trata com tal misoginia as suas mulheres e que apela a uma religião violenta, não merece tal colagem. A abordagem diplomática terá de surtir efeito. Por outro lado, será irónico considerar que o mesmo terror e medo causado pela, então, administração republicana tenham sido o dínamo da campanha democrata e da afirmação do mestiço no seu «Change, We can». Só os mais distraídos e mal-intencionados poderão confundir as consequências e idiossincrasias que daí advieram, fazendo-as passar por oportunismo político. Não foi Obama o único implusionador de tudo isto. Foram os Estados Unidos que o expressaram nas urnas. Por isso e por muito mais, arrisco dizer que Obama foi o que de melhor aconteceu na política dos últimos 50, turbulentos e icnolastas, anos. Que venham daí esses quatro anos.

07
Mar
09

É por isso que simpatizo com o punk.

“Você acha que somos burros deliberadamente? Não temos pretensões em fazer arte. Nossa meta é escrever canções simples para a garotada toda se divertir. Nós somos anti-arte. O nosso negócio é divertir. Não queremos ficar a experimentar, tentando inovar. É assim que os fãs gostam de nós”

– Michael Bradley, baixista da mítica banda punk norte-irlandesa The Undertones referindo-se à postura irreverente e “no rules” da banda que era apanágio, então, do vibrante som da época. Influenciados por uns The Jam, Buzzcocks ou SexPistols e inebriados por uma idílica anarquia no ar estes tipos simbolizam tudo o que o punk foi desde a glória extasiada até à decadência fadada. Música pela música, diversão pela diversão, DIY para sobreviver. Foram momentos encalhados num tempo que não volta atrás mas que teimosamente muitas bandas parecem não querer entender. Não sou anti-arte (antes pelo contrário), o meu negócio não é só divertir-me, suspeito até que não seja grande amante do canções simples – salvo algumas excepções – mas alguém tem de as fazer. Foi o meu elogio a um estilo que ainda não morreu.

22
Jul
08

He deserves it !

21
Jul
08

Com muita pena minha.

 




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