Archive for the 'cinema' Category

09
Abr
09

O velho mestre sai de cena

Este filme é lindo. Adjectivá-lo seria reduzir um pedaço de arte a um amontoado de palavras. Clint Eastwood é o rei Midas do cinema de autor, transforma em ouro tudo o que toca. Diálogos impressionantes com actores não-profissionais, uma história que poderia ser uma de tantas outras na américa dos ex-veteranos de guerra. Retratada com uma honestidade desarmante, sem manobras de diversão. Uma obra-prima sobre o sacrifício e a redenção humana. Uma ode a Charles Dickens em 9mm. O últime filme do velho Clint à frente das câmaras.
Não me lembro se chorei ao vê-lo mas de uma coisa tenho a certeza. É nestes filmes que eu gosto de chorar

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10
Mar
09

and the oscar goes to…

É impressão minha ou a academia de Hollywood está a ficar cada vez mais previsível a cada ano que passa. Em verdade vos digo meus irmãos é mesmo só impressão minha. Os Óscares sempre foram um barómetro excessivo de loobying e critérios mais ou menos duvidosos. Critérios estes que se regem por uma concertação de bom gosto dos indicadores dos Globos de Ouro e dos BAFTA. Salvo este aspecto, poderemos dizer que aí entra a espontaneidade dos arautos de Los Angeles. Senão, que dizer do fenómeno de massas Slumdog Millionaire e do excêntrico Danny Boyle que arrumaram a questão num clima de exotismo descartável, no Kodac Theater. Vamos por partes. O filme é engraçado e bastante razoável, com uma produção e direcção plausíveis. Um conto de fadas em tempos de crise, apologista de causas que subjazem num conjunto de estórias que poderiam ser escritas por um qualquer argumentista da Disney. Mas esse estado de graça de um filme por demais sobrevalorizado, acaba aí. Já não alinho nas acusações de desonestidade intelectual e de pós-colonialismo cinematográfico que serviram como raciocínio para reprovações ao nível do tratamento discriminatório e de abuso de imagem da miscigenação da Índia. Esses foram os mesmos que apelidaram de “fascista” o Tropa de Elite e de obsceno o Blindness. E nessa ladaínha eu já não caio. Não que seja preciso relembrar que existe para aí muito boa gente que tem uma certa dificuldade em encarar a crueza dos “Mundos” que não conhecem. Milk era a escolha mais acertada. Uma pedrada no charco de um dos maiores cineastas norte-americanos vivos. Mais uma vez Gus Van Sant impressiona não apenas pela biopic em si mas pelo compromisso “faustiano” de uma verdade dinâmica que é a rémora desta longa-metragem. Por outras palavras o realizador pega num guião polémico e actual e transforma-o numa narrativa escorreita e indomável. A criação que foge ao controlo do criador. Muito poucos o conseguiram fazer: Stanley Kubrick, David Lynch, Bertolucci. E que dizer de Sean Penn? Resumir o seu trabalho a brilhante é redutor. Penn tem aquela capacidade que eu só vejo num Daniel Day Lewis – não por acaso dois dos actores mais galardoados dos Óscares – de se deixar confundir indelevelmente com a personagem e de por momentos confundir-nos se aquela personagem existe mesmo ou se é uma construção ficcionada. É como se houvesse um pedacinho do actor ou da sua dimensão empírica em cada caracterização que faz. Seja como o condenado à morte Matthew Poncelet em “Dead Man Walking” ou como o ex-presidiário Jimmy Markum em “Mystic River” é irreconhecível e impermeável no engenho da sua caracterização. Um descendente artístico de Al Pacino. Josh Brolin tem outro desempenho brilhante, porém teve de levar com um trabalho de uma vida por parte do malogrado Heath Ledger. Óscar de melhor actor secundário indiscutível, uma mise en scène completamente descontrolada. Jack Nickolson ainda deve estar a pensar como é que ele conseguiu. Contudo não posso deixar passar em branco outra representação arrepiante que fez “Frost/Nixon” girar em seu torno. Frank Langella apesar da exigência da personagem e dos preceitos e fisionomia específicas do ex-presidente norte-americano faz o dito “papelão”. Um cuidado especial pelo pormenor, uma honestidade acima de qualquer dúvida na incorporação do lúgubre e enigmático Richard Nixon, uma expressividade esmagadora, um transe silencioso. Uma interpretação que faz salivar o seu colega Michael Sheen (de esforço?) e que apresenta Nixon como uma figura histórica apetecível e interessante no seu todo. O que é que lhe podemos pedir mais?
De resto: Kate Winslet, magistral; Penélope Cruz, a armada espanhola volta a atacar; Mickey Rourke… bem, Mickey is my brother and he rises again!

22
Jul
08

He deserves it !

31
Maio
08

Sydney pollack (1934-2008).

Concordo quando afirmam que com a morte de Pollack desaparece também uma forma de sentir o cinema e aquela ténue esperança de fundir “Hollywood” com “Cannes”. Vindo do seio de um cinema de tradição clássica enraizada por uma forte moral litúrgica e romântica que passeava por campos e savanas, Sydney Pollack tinha aquele dom ancestral dos velhos realizadores norte-americanos dos 70ies, ao encher a tela manipulando a atenção do espectador com pouco alarido, sem grandes frissons de narrativa e acção, com pouca coisa ou quase nada. Ficam as suas duas obras-primas como testemunho da sua grande contribuição para o cinema e como certificado de entrada em qualquer hall of fame: “ They shoot horses. Don’t they?” e “The Interpreter”.
O que, diga-se de passagem, para o abrupto desaparecimento do cineasta e ao luto instalado, não atenua o constrangimento.

24
Maio
08

Cinema sem pipocas – o Lado selvagem.


Título original: Into the wild

Ano: 2007

País: EUA

Género: Drama, Aventura

Distribuidora: Lusomundo

Realização: Sean Penn

Intérpretes: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Catherine Keener, Vince Vaughn, Kristen Stewart

 

Sinopse:
Into the Wild é baseado numa história verídica e no bestselling literário de Jon Krakauer. Depois de se graduar na Universidade de Emory em 1992, Christopher McCandless (Hirsch), estudante de topo e atleta, abandona as suas posses, oferecendo as suas poupanças de 24 mil dólares à caridade, para ir viver para o Alasca. Ao longo do seu caminho, Christopher encontra uma série de personagens que dão forma e sentido à sua vida.

02-Jun | Pequeno Auditório | 22:00 | Geral: 5euros | > 65; < 25; estudantes: 3,5euros

Cineclube: Cinema sem pipocas.
Organização GACU / Teatro de Vila Real

 

23
Maio
08

Paranoid Park – review.

Título original: Paranoid Park
De: Gus Van Sant
Com: Gabe Nevins, Daniel Liu, Taylor Momsen
Género: Drama
Classificacao: M/12
EUA/FRA, 2007, Cores, 85 min.

 

Que fique bem claro que não o achei fantástico ou impressionante. Mas o risco, a presença e a dimensão que Gus van Sant atinge, deixa-o como um dos melhores de 2007. Um filme que artisticamente fala por si.

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23
Maio
08

O papel do musical e sua história.

Desde a inevitável Grécia Antiga, berço da cultura e do teatro, que se desenvolve esta espécime de interpretação onde os artistas e cenas faziam correlações entre o teatro e a música. Esta arte híbrida exigia ao executante tanto de interpretação dramática como de melodia e a harmonia vocais.
O próprio termo orquestra significava o espaço entre a cena e o público nos anfiteatros gregos, onde os treinos e preparação eram feitos pelos coristas, responsáveis pela condução da narrativa.
Mas o género músico/teatral nasceu, de facto em Florença no século XVI, que de uma maneira formal e rígida conciliava esta fusão entre voz e movimento.

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