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A nove polegadas de PdC

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Penso que é desta que me vou reconciliar com Paredes de Coura. Desde os Queens of the stone – quando eles eram a melhor banda do mundo, lembram-se? – que nenhum anúncio festivaleiro me deixava tão excitado. Conseguiram trazer uma das três bandas que me fariam galgar quilómetros para as ver – as outras são os Morphine e os Kyuss que, como sabemos, jazem em paz. Os Nine Inch Nails foram responsáveis por muita da minha melomania e da minha psicopatia funcional. Foram talvez o meu primeiro contacto com aquele tipo de música que nos ultrapassa, nos deixa atónitos, nos deixa boquiabertos e a pensar: “Foda-se, é possível fazer música desta!”. Uma música que se assemelha bastante a uma rapariga de peitos volumosos e olhos de lince que passa por nós na rua e nos deixa um bilhete com o número no bolso do casaco, passe o paralelismo. Mesmo que não queiramos a carne é fraca, minha gente. Mas também, quem ouve o “Pretty Hate Machine” ou o “The Downward Spiral”, está à espera do quê?
E depois, Trent Reznor é o melhor músico da sua geração. Simplesmente e sem permissão para discordâncias. Um tipo que nasceu numa zona rural dos States sem acesso a qualquer movimento cultural, que se afogou em drogas e que tentou a pulso criar algo diferente daquilo que eram os pressupostos sonoros da época, foi responsável pelas letras mais empolgantes e polémicas dos anos 90. Criou sozinho uma instituição que foi vítima, causa e consequência da sua própria popularidade. Quem faz o “that’s what i get” devia estar prevenido da fúria que ia causar nas castas mais puritanas do Rock’n’Roll. Quem canta “God is dead, and no one cares, if there is an hell, I’ll see you there”, a plenos pulmões, não está propriamente à espera de cativar os cordeirinhos do Senhor. O ateísmo militante do senhor prolongou-se pela “closer” – num dos videoclips históricos de Mark Romanek – e transmutou-se num activismo político anti-Bush, no álbum “Year Zero”. Experimentem ouvir uma “Capitol G” e ficam esclarecidos acerca daquilo que o Trent pensa da realidade política dos EUA. Por isto e por muitos mais, razões não faltam para os receber de braços abertos em Paredes, no Verão. Sem Josh Freese nem Twiggy Ramirez é certo. Mas concerteza com uma vontade inapelável de rebentar algumas consciências e tímpanos. Estiveram no ano passado no Atlântico, mas isto aqui é outra história. Eu já programei o meu countdown.


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