26
Maio
08

Retrospectiva do Som e da Imagem.

Coordenado pela empresa municipal Culturval, o aparecimento deste equipamento ganha dimensão nacional não só pelo inquestionável valor museológico mas também pelo facto de que só Melgaço e Leiria possuem obras similares ao nível das bases apresentadas. Em suma, um museu divertido, atraente, exemplar e seguindo uma orientação passadista com os olhos postos no futuro. Porque para um melhor entendimento do presente e do futuro tem de haver sempre um respeito e consideração da memória colectiva.

 Muitos de nós, estudantes e mesmo alguns vila-realenses, esquecemo-nos ou simplesmente ignoramos o que vem de trás, que ajudou a construir uma identidade e a consolidar a actual disposição das instituições na cidade. Agora, e dentro dum conceito tão nobre e revolucionário como o audiovisual, já existe um contributo importante para se vivenciar um passado recente. Falo do mais recente museu alocado no Teatro de Vila Real no espaço entre os dois auditórios reservado até há bem pouco tempo a exposições temáticas. O museu do Som e da Imagem. E perguntam vocês que tipo de interesse é que um museu desta estirpe terá numa cidade pequena do interior. Pois bem, ao contrário do que muitos pensam, reside aí precisamente a verdadeira surpresa e relevância na informação e documentação de séculos de evolução no tratamento da imagem e do som em Vila Real. E já agora no mundo. Mas deixemos isso mais para a frente.
Ao vislumbrarmos a entrada confrontamo-nos de imediato com uma surpresa inovadora, a peça do mês. Um gramofone antigo, peça de coleccionador que nos seduz e suga para o que der e vier. E o que vem não poderia ser mais elucidativo. De realce e olhar tímido para a tabela cronológica que nos demora a ânsia, chegamos ao primeiro baluarte teatral da região. O museu então localizado no actual largo da câmara e datado de 1846 introduz-nos às rupestres maquinarias de efeitos especiais e à adaptação da sua primeira peça de um jovem Camilo Castelo Branco. Vista esta preciosidade passamos para outra descendência. O Teatro Circo abriu as portas em 1892 e encontrava-se no Largo do Pioledo, o que talvez surpreenda pela descontextualização do local nos dias de hoje. Mesmo aqui nota-se um espólio bastante completo com cadeiras, projectores da época e a especificidade dos cartazes e candeeiros arcaicos. Só visto. O que também apenas se pode apreender com o olhar embevecido é o Teatro Avenida o mais recente dos expostos situado à época nas cercanias do conservatório de música já com o ónus da censura à perna e que veio marcar uma era de forte contraste com o que até aí se desenvolvia. A era do sonoro, com os amplificadores e sincronizadores de som expostos e aplicados aos já mais modernos projectores.
A partir daqui e instigados a continuar chegamos à segunda parte da exposição. A fotografia. Com dezenas de máquinas de fole, modelos de foto e material diverso o que atesta bem a qualidade do espólio. Espólio esse aditado por um filme de uma fábrica de cerâmica na década de 40 e diversos jogos ópticos que possibilitam a interacção do visitante com o espaço numa aproximação a um conceito mais moderno e futurista do museu. A terminar e já de caras com a saída ficamos envolvidos com a etapa final desta odisseia fotográfica. Numa majestosa descrição de uma zona nobre da cidade – a Avenida Carvalho Araújo – vemo-nos rodeados de vários retratos e faces dessa esguia e articulada avenida pelos olhos de um dos seus destacados admiradores. Quem já ouviu falar da Foto Marius conhecerá por certo o seu patriarca Mário Rodrigues Silva, figura ímpar da imagem transmontana e alvo de uma merecida homenagem por parte da sua cidade. Glorioso.
Coordenado pela empresa municipal Culturval, o aparecimento deste equipamento ganha dimensão nacional nãos só pelo inquestionável valor museológico mas também pelo facto de que só Melgaço e Leiria possuem obras similares ao nível das bases apresentadas. Em suma, um museu divertido, atraente, exemplar e seguindo uma orientação passadista com os olhos postos no futuro. Porque para um melhor entendimento do presente e do futuro tem de haver sempre um respeito e consideração da memória colectiva.


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