24
Maio
08

Um percurso fotográfico.

“Hoje é impensável um mundo sem fotos – elas ganharam por mérito próprio um espaço insubstituível nas nossas vidas.” Assim, nos introduz Duarte Carvalho à sua exposição residente no Museu de Arqueologia e Numismática de Vila Real (MANVR), a decorrer entre os dias 10 de Maio a 29 de Junho.

Depois do relativo sucesso que foi a exposição pretérita, “A morte: Ritos e Artefactos” que tratou de enunciar a relação de Trás-os-Montes com o momento fúnebre, as galerias secundárias cedem agora o seu espaço para o mais recente trabalho do fotógrafo radicado em Vila Real, Duarte Carvalho. Na realidade, “Imagens de um percurso” – assim se denomina a patente – é, sobretudo, um olhar singular, um exercício de associações e descrições deliberadas pelo artista. A fotografia depende muito do momento, daquele feeling, da efeméride sagrada que a vida nos proporciona. O que aqui vemos é a exteriorização das sensibilidades captativas num enfoque variado e subtil.
Dividido em três sectores, o espólio bastante rico e variado de Duarte Carvalho atravessa bastantes tendências o que, de sublinhar, não confere grande interesse ao autor. Mesmo assim, as experiências e os diferentes estilos estão lá. Chegados ao hall de entrada deparamo-nos surpresos com uma saga, uma obsessão de Fábio Timor em penetrar o casebre, deixando testemunho em forma de gabardina amarela. Entusiasmados pelo vanguardismo deixamo-nos percorrer pelas memórias que teimosas insistem em resistir pela objectiva do artista. Aqui na pequena galeria, a face telúrica e tradicional dá um ar da sua graça num toque muito pessoal de Duarte Carvalho. O sentimento (saudade?) dos que já não estão e o leve sussurro da fotografia invade subitamente o espectador. A foto não é só documento. A foto é uma história.
Por fim e contemplando a grande sala da exposição, percorremos os rostos, os instrumentos, as angústias, os medos e gostamos do que vemos. O impressionismo rebelde do autor é nos comum. São as suas realidades “congeladas”. Uma intencionalidade estética bastante pessoal que emociona mesmo que não se compreenda. Tecnicamente, umas melhor que outras mas isso é o “pão nosso de cada dia” de qualquer autor. Mas nota-se uma disciplina do olhar.
Chegados ao final desta viagem, atribuímos a nossa chancela e qualidade à exposição. “Imagens de um percurso” é algo que só é entendido com a alma. E Duarte Carvalho, orgulhoso dissidente das escolas artísticas, coloca-a toda nas suas imagens. Já que, “o fotografo não fotografa o que vê. Mas como vê.”


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