23
Maio
08

Paranoid Park – review.

Título original: Paranoid Park
De: Gus Van Sant
Com: Gabe Nevins, Daniel Liu, Taylor Momsen
Género: Drama
Classificacao: M/12
EUA/FRA, 2007, Cores, 85 min.

 

Que fique bem claro que não o achei fantástico ou impressionante. Mas o risco, a presença e a dimensão que Gus van Sant atinge, deixa-o como um dos melhores de 2007. Um filme que artisticamente fala por si.

O cinema de autor sempre atentou pela visão característica e de extrema complexidade que refuta a formatação e o simplismo do blockbuster vulgar. De entre os inúmeros contrastes entre estes dois conceitos, a recepção artística é um dos exercícios demarcantes. Tanto a desconstrução da história como a subversão dos elementos cinematográficos está bem patente na visão do crítico e do espectador.
Porque de facto, “Paranoid Park” no expressionismo estrutural de Gus Van Sant apresenta todas estas impressões que transformam a narrativa de Blake Nelson – autor do livro com o mesmo nome – numa liberdade anacrónica de cenas dentro dos epifenómenos actuais da América e do american lifestyle juvenil. Incorporado num filme que à primeira vista pode deixar a desejar mas só numa interpretação de relance. O filme demonstra muito mais do que aquilo que aparenta.
Existe um lado documental em todos os filmes de Van Sant e principalmente nos últimos “Last Days” e “Elephant”. Sempre numa perspectiva de “orquestrar” o filme e ao não coreografá-lo, o realizador Norte-americano afasta-se do conteúdo da trama apimentando aqui e ali a sua forma e seu desenrolar. Numa sucessão de flashbacks, o filme mostra-nos o dia a dia de um adolescente e as suas crises existenciais e familiares. Para se libertar destes tormentos Alex (Gabe Nevins) entrega-se ao “skate” e ao mais aliciante parque da cidade de Portland: o Paranoid Park. Até que um dia e aliciado pela descarga de adrenalina de uma viagem de comboio em andamento, o jovem “skater” atinge acidentalmente um vigia que desiquilibrado tomba para a frente de outro comboio. Já com a policia ao barulho e desfazendo-se das provas, Alex segue o seu rumo numa purgação de culpas e angústias que não se transportam para a mensagem subliminar da obra. Não há moralismos neste filme e por tentativas tímidas, na crítica à consciência dos jovens e as suas prioridades e ambivalências, chega-nos apenas uma versão renovada do relativismo moderno dos valores e ideologias.
Existe aquela aura de cidade renascida em Portland, invulgar e condicionante como pano de fundo. O desabar do mundo sobre um jovem desorientado, as pressões sociais caricaturadas na cena da “primeira ve”z de Jennifer (Taylor Momsen). O filme tem cenas belíssimas e de espontâneo encanto que engrandece os fascínios e a devoção pelo skate, a liberdade. A vida, no fundo. É uma história velha elevada pela riqueza da fotografia, música e montagem. Aqueles travellings do skate dentro do park, as manobras em câmara lenta é do melhor que a sétima arte tem para nos mostrar.
Que fique bem claro que não o achei fantástico ou impressionante. Mas o risco e a presença que Gus Van Sant atinge, deixa-o como um dos melhores de 2007. Um filme que artisticamente fala por si.


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