18
Maio
08

O Sonho de Cassandra – review.

O Sonho de Cassandra
Título original: Cassandra’s Dream
De: Woody Allen
Com: Colin Farrell, Ewan McGregor, Sally Hawkins, Hayley Atwell
Género: Drama/Comédia
Classificacao: M/16

EUA/UK, 2007, Cores, 108 min.

 

Ao pensar o filme (Woddy Allen) com estilo próprio e com a importância de uma obra factual, faz com que tudo bata certo com graça e volúpia num limbo entre o filme de autor e o de massas.

Crítica: No terceiro filme em terras de sua majestade, Woddy Allen revela sua faceta de piloto automático. Não que esta longa-metragem seja má ou venha desiludir os indefectíveis do realizador mas a verdade é que já vimos bem melhor dele. Alguns erros técnicos e de repetição estão na base desta análise já que o bom gosto tanto nos intérpretes como no guião continua intacto.
Com várias expectativas criadas e depois da obra-prima Match Point e da surpresa Scoop, Allen traz-nos agora mais uma história citadina dos tempos modernos sempre com aquele toque muito pessoal de comédia trágica que é de facto a espinha dorsal do filme. Carregada de ironia e de dilemas humanos o filme surpreende pela semelhança de um ‘Crime e Castigo’ dos tempos modernos, de mãos dadas com a característica sátira social do americano. Uma autêntica tragicomédia clássica num cenário moderno auxiliado por uma óptima fotografia e montagem.
“O Sonho de Cassandra” conta-nos a história de dois irmãos de classe média/baixa de Londres, cúmplices e bastante amigos embora transversalmente opostos um do outro. Ian (Ewan McGregor) é o mano inteligente e pragmático enquanto Terry (Colin Ferrel) é o mais forte e ao mesmo tempo sensível dos dois irmãos. Ao meterem-se em alhadas diferentes e necessitando de dinheiro recorrem ao sempre disponível tio Howard (Tom Wilkinson) um abastado homem de negócios que funciona como figura mítica de sucesso. Acontece que a certa altura é precisamente o tio que lhes atribui uma difícil tarefa. Limpar do mapa um seu colaborador implicado em certas falcatruas.
A partir daí e já com a vítima fora de cena, a dimensão e acção da narrativa passa a ser a da catarse generalizada na esfera dos arrependimentos, angústias e suores frios de Terry – esmagado pela culpa – e Ian – amedrontado pelas incertezas do irmão. Esta dupla submissão não se remete apenas perante as vicissitudes da vida como ao carácter das personagens. Marcando um ambiente diferente no filme, releva os valores tradicionais de família, amor, orgulho etc, em oposição a uma competição sem escrúpulos, à necessidade de ter dinheiro, à sociedade de sucesso.
O filme acaba no mesmo lugar onde começa. No barco onde fatalmente se dá a morte que põe fim ao sonho de ambos: O sonho de Cassandra. É nesse aspecto que Woddy Allen mesmo a milhas de distância do seu génio, se destaca dos outros cineastas norte-americanos. Ao pensar o filme com estilo próprio e com a importância de uma obra factual, faz com que tudo bata certo com graça e volúpia num limbo entre o filme de autor e o de massas.


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