14
Maio
08

Achas que o jornalismo on-line vai substituir a imprensa em papel?

Esta é a pergunta que se impõe e que tem levado ao impasse da nova geração de jornalistas que materializa toda a frustração na continuidade dos seus futuros à frente das redacções e a ameaça invisível do trabalho precário e escassez de vagas. Numa amena troca de palavras, discutiu-se a presença dos suportes multimédia no exercício jornalístico moderno à conversa com alguns colegas meus da universidade, na disciplina de Economia política dos Media. Contraditório, múltiplas perspectivas e aditamentos é o que nos reserva este debate que vos transcrevo de seguida. Aproveitem:

    
Verónica Carvalho:
Na minha opinião, o jornalismo on-line (talvez daqui a 10 anos) vai substituir a imprensa em papel. Porquê?
O Jornalismo on-line tem assumido uma posição cada vez mais forte em relação aos outros meios de comunicação. É preciso que estes acompanhem a rapidez, a eficácia e a instantaneidade deste tipo de jornalismo mais interactivo e interessante para os leitores.
Num futuro próximo, as pessoas vão ter acesso à Internet com mais acessibilidade relativamente aos dias de hoje. A Internet vai ser a base do jornalismo, ou seja, os jornalistas multimedia vão ser mais procurados, uma vez que sabem utilizar a nova tecnologia (smartphone, PDA,GPS).
Os contéudos multimedia inseridos na internet tornam-se mais atractivos para os leitores porque há uma interactividade maior entre a informação e o próprio leitor.
As próprias notícias são actualizadas constantemente, o que torna o jornalismo on-line bastante atraente, uma vez que as pessoas vão obter a informação mais rapidamente e com mesmo nível de credibilidade.
Apesar destes argumentos que referi a favor do jornalismo on-line, penso que o jornal não vai desaparecer totalmente, mas o número de vendas vai diminuir substancialmente. De facto, há pessoas que preferem o jornal por várias razões: gostam de guardá-lo para mais tarde rever as notícias ou porque têm o gosto de folhear o jornal.

Marta Carvalho:
Hoje em dia, o jornalismo on-line tem-se afirmado no mundo da comunicação. É uma maneira das pessoas se actualizarem mais rapidamente sobre o que se passa no panorama nacional e internacional. Este tipo de jornalismo traz várias vantagens, como por exemplo, a acessibilidade e a rapidez na procura de informação.
Quanto ao facto se o jornalismo on-line vai substituir a imprensa em papel, eu penso que é muito provável de acontecer. As pessoas vão ter mais acesso à internet e, por conseguinte, o jornal ficará para segundo plano. No entanto, o jornal criou hábitos às pessoas que muitos não vão conseguir deixar. Isto vale por dizer que uma pessoa assídua do jornal tem prazer em ler o jornal, como por exemplo, num café, numa esplanada, etc.

Andreia Nascimento:
Que as novas tecnologias têm vindo, cada vez mais, a substituir as formas tradicionais de comunicação é um dado adquirido e, na minha opinião, a imprensa escrita não será excepção à regra. Penso que será inevitável que tal aconteça, o jornalismo tem assumido um lugar que dificilmente lhe será retirado, é muito mais fácil aceder à internet para ler as noticias (hoje em dia até já se pode ver tv através da net!) e acredito que num futuro muito próximo o papel será quase banido da vida das pessoas, lógico que não falo no desaparecimento do jornal pois penso que isso não acontecerá (pelo menos num futuro próximo) as pessoas vão continuar a ter a necessidade de “sentir” o papel nas mãos, de “apalpar” as noticias, E se actualmente não há um maior número (que já é gigante) de utilizadores destas novas tecnologias como a net, o PDA, o computador, é porque os seus preços são razoavelmente altos para uma grande parte da população, mas acredito que com a descida cada vez maior desses valores o número aumentará e com ele aumentará a necessidade de se fazer mais e mais, o que aconteceu com o jornal e com as revistas, os quais foram aumentando em número e em qualidade, acontecerá com os meios virtuais, o mundo avança e as pessoas têm necessidade de avançar também evoluindo no tempo.

Sara:
O jornalismo online vai substituir a imprensa em papel?
Colocando a questão doutro modo: será que os jornais impressos vão desaparecer? A resposta a isso é não. Mas haverá, sem dúvida, uma grande quebra na procura e consequentemente na tiragem dos jornais impressos diários. Estes apresentam essencialmente notícias do dia, notícias que estão dependentes do factor tempo. A impressão do jornal, que ocorre geralmente à noite – os jornais portugueses são na sua maioria matutinos – implica que os eventos ocorridos no espaço de 24h só sejam notícia no jornal seguinte. É neste ponto que o jornalismo online traz maior vantagem pois no mundo virtual as notícias podem ser constantemente actualizadas. Outros benefícios do jornalismo online são o fácil acesso a essas páginas (comodidade), o que evita o deslocamento aos estabelecimentos de venda; a redução do consumo de papel e tinta (contributo ambiental); o baixo preço e a potencial interactividade entre o público e o órgão de comunicação social. A própria publicidade, grande (talvez mesmo a maior) fonte de receitas de um jornal, está também a sofrer uma migração do espaço papel para a net, seguindo o movimento do público/consumidor. Assim, é inevitável que dentro de poucos anos se verifique a hegemonia da imprensa online sobre a tradicional. O jornalismo da Era Industrial está a dar lugar ao jornalismo da Era Digital, é inegável.
Contudo haverá resistência. Muitos jornais usam vários “artifícios” que os ajudam nas vendas. Suplementos, ofertas, colecções vendidas em conjunto com o jornal e concursos, são exemplos do marketing que os jornais tradicionais há muito usam como mais-valia em relação à concorrência. Estes mecanismos continuarão a ser usados como factor de diferenciação com a concorrência online. A estes elementos de “resistência” aliam-se outros de cariz mais pessoal. Porém, penso que a maior parte dos jornais acabará por se reduzir à sua versão online. Alguns jornais manterão uma versão impressa mas com uma tiragem inferior à de hoje, reservada a pequenos nichos de mercado.
Menos afectados pelo advento da web serão os semanários. As notícias aí apresentadas são menos efémeras, menos dependentes do imperativo temporal. Há também a tendência para mostrar as notícias em maior profundidade. Além disso, a leitura de textos mais ou menos extensos é mais agradável e cómoda em papel do que no ecrã. Acredito que muita gente comprará semanalmente o seu jornal/ revista informativa, mantendo-se informada diariamente através da Internet.

Tiago Mendes:
Subscrevo a opinião da Sara. O online terá cada vez mais poder e são vários os motivos que o levarão à hegemonia. Para além daqueles referidos pela Sara, a constante actualização de conteúdos ou a comodidade, por exemplo, há também o facto de a internet permitir uma multiplicidade de meios de transmissão de informação: texto, áudio, vídeo e interacção. Imprensa, rádio, televisão e debate imediato concentram-se na edição online.
No entanto, haverá sempre as tais “resistências”. Os nichos de mercado formar-se-ão, se é que já não começam a surgir… Os diários poderão estar em risco, sim, mas os semanários, com as suas grandes reportagens, entrevistas, suplementos ou até mesmo brindes, conseguirão sempre fidelizar determinado tipo de público. Tomando um exemplo pessoal, diariamente consulto o site do Público para saber das “últimas” e à sexta-feira compro o jornal impresso, uma vez que trás suplementos de interesse como o de Ípslon, o Sexta, o Inimigo Público ou, claro, o P2, apesar de este ser diário. Presumo que, tal como eu, haverá mais pessoas a comprar o jornal em determinados dias da semana, até porque comprar o jornal diariamente fica caro ao fim do mês.
Em suma, o online é o fast-food, que se come de forma fugidia no intervalo do trabalho, enquanto o impresso é a cozinha tradicional, de saborear calmamente num dia de repouso durante o fim-de-semana.

Pedro Ferrão:
Excelentes análises!
Entretanto há outro elemento interessante do ponto de vista da Economia Política dos Média e que foi implicitamente referido acima: o jornalismo online permite a criação, como alguns dos operadores estabelecidos já fazem, de verdadeiras comunidades de leitores através de comentários e blogues associados. Se bem que esse acompanhar o sinal dos tempos favorece a sua quota de difusão (share) também promove (se não existir censura) um maior pluralismo. – pferrao Apr 1, 2008 5:41 pm

Sílvia Braga:
Na minha opinião, o jornal impresso nunca vai desaparecer, pelos motivos que já foram referidos, como é o caso de muita gente preferir sentir o papel enquanto lê um jornal. Ainda assim, o jornalismo on-line vai ganhar cada vez mais adeptos, uma vez que o número de “internautas” é cada vez maior e porque a internet tem, nos dias de hoje, um papel relevante na vida de muitos jovens, que no futuro, serão os leitores dos jornais on-line. No entanto, não vejo os jornais impressos serem subsituídos pela versão digital, sendo que esta última poderá ser considerada como um “suplemento” ou um “reforço” da versão em papel.

Marianna Viveros:
As novas tecnologias trouxeram vantagens que talvez se possam considerar desvantagem, como é o caso de tema de conversa: o jornalismo impresso Vs jornalismo on-line.
Sendo realistas, poderemos considerar que haverá, daqui a uns bons anos, uma diminuição do número de tiragens dos jornais impressos visto que o jornal on-line começa a ganhar cada vez mais terreno, as noticias são actualizadas de hora em hora, não é preciso sair de casa para “comprar” o jornal, além disso já não há aquela preocupação de que, depois de lido, vai ocupar espaço lá por casa pois como é ”lido” na Internet basta fechar a página.
É cada vez maior o número de pessoas que têm acesso a Internet e que, por sua vez, sabem manusear os computadores. Há um sem número de cursos em diversos horários (laboral, pós-laboral, tempos livres) para todas as gerações, nas escolas está implementado aulas de informática nos planos de estudo, por isso hoje em dia só não sabe quem quer!
Mas voltando a questão, o jornalismo impresso não desaparecerá, simplesmente não estará tão actualizado como um on-line visto que o impresso dirá as notícias referentes ao dia anterior.
Em conclusão, que o jornal impresso não irá desaparecer, lá isso é verdade, pois há certos hábitos que as pessoas não desgrudam como é o caso de uma leitura mais sossegada numa viagem, num café, etc.…
No entanto, outra verdade é sem dúvida alguma que, o jornal on-line tem vindo a crescer de tal forma que se pode equiparar à necessidade e exigência do público leitor…
– MariannaViveros Apr 23, 2008 8:05 am

Manuel Fernandes:
Desde já adianto que me reconheço em grande parte do que aqui foi dito. Se de uma perspectiva romântica me rendo às evidências seculares que ditam o meio impresso como actividade nobre e destacável do jornalismo, defendo igualitariamente a legitimidade e pertinácia de muitos blogues e suportes multimédia como aposta de futuro, uma evolução inevitável rumo à modernidade. Não faz o meu estilo nem considero correcta a afirmação/suposição da morte anunciada dos jornais em prol da “era cibernética” e de soluções castradoras e libertinas censurando o jornalismo online. Há que saber conviver, como tudo na vida, com a multiplicidade de conceitos, com a interactividade social adequando as novas formas de reportar e noticiar ao sabor dos tempos. Esta aproximação é simbólica e vai deixando a sua carga de ambiguidade, (na toada do que tenho escrito por aqui, revê-se no capital de confiança e credibilidade que os jornais começam a reconhecer na blogosfera).
Mais uma vez adianto: Os blogues não vieram ocupar o espaço jornalístico, complementam-no em rigor de uma maior liberdade de imprensa e do sentido do contraditório. Poderia enumerar as vantagens e limtações de cada um dos lados mas vou poupar-vos a essa maçada. Curioso no entanto é notar que ninguém quer prescindir destas “burguesias” cibernéticas, pela simples razão da necessidade premente de estar próximo do Mundo, do conhecimento, da informação, etc…
Paradoxalmente, uma proximidade afastada já que nos apresentam meios para conhecer de perto, estando longe ou muitas vezes só! Sentado à frente de um pc, sozinho numa sala a olhar para o Mundo inteiro. Já quem compra ainda o “jornal do quiosque” é motivado pelo reconhecimento das notícias que fazem as manchetes, os pontos fortes, a investigação que não tem espaço na Web, a organização e disciplina da notícia ao consumidor. Enfim modernices:

Com isto, deixo aqui duas obras essenciais para compreender esta dualidade Net/Papel, retiradas da Biblioteca on-line da Universidade da Beira Interior:

“A Internet como factor de mudança no jornalismo”, de Nelia Bianco.
“A Internet e o novo papel do jornalista”, de Inês Aroso.


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