23
Abr
08

Bandeiras em tempos de crise.

A respeito de mais um caso sensível ao nível do jornalismo nacional, introduzo um tema que não sendo o mais representativo e dialéctico se impõe pelo seu carácter actual e normativo. Falo do caso de Fernanda Câncio, bandeira política nos dias que correm de certas bases do Partido Social Democrata (PSD) e novo alvo da enxuta comunidade blogosférica. Antes de deambular por acervos, factos, “opiniões” e difamações assinalo aqui a minha indignação por um “caso” que não é caso e que surpreendentemente foi feito ónus de uma estratégia político/partidária. Todas as motivações a defender são falíveis porque não se vislumbram aqui estados de espírito ou opiniões especulativas. Todo isto é do domínio dos próprios factos. Nada aqui escapa à verdadeira essência da questão. Contudo o constante clima de suspeição e calúnia, tantas vezes referido por José Miguel Júdice não esbarra no bom senso e consciência.

 Mas antes, a lista de queixumes: Agostinho Branquinho deputado “laranja” afirma num tom premonitório do descalabro que se avizinhava, «torna-se incompreensível que a RTP contratualize com entidades externas a feitura de programas para a sua grelha». Só alguém que não viva neste país ou que seja muito mal informado é que pode entender o teor destas palavras. Desde sempre que a RTP (SIC e TVI incluídas) solicita a entidades exteriores a produção de programas para as suas grelhas, com transparência e regularidade suficientes tornando-se prática generalizada. Não existe qualquer base legal ou ética sequer para dar como fundadas estas declarações pois num mercado de intensas mudanças, instável e competitivo não se pode reservar o direito de produção televisiva à própria empresa limitando assim o seu raio de acção e a livre concorrência. Revelam um profundo desconhecimento da multiactividade da comunicação social. Mas o pior ainda estava para vir.
Escudado por estas resolutas declarações, Rui Gomes da Silva vice-presidente do PSD manifesta a posição do seu partido, que «contesta a contratação externa de uma jornalista que a RTP foi buscar única e exclusivamente por razões que são de todos conhecidas» e que razões são essas?,«um relacionamento com o primeiro-ministro, da jornalista escolhida para a estação Fernanda Câncio». Não alinhando por histerismos insurge-me explicar alguns pontos, por partes.
Fernanda Câncio é uma conhecida e reputada jornalista, considerada por muitos uma das melhores no capítulo da reportagem e que recentemente foi escolhida por uma produtora para apresentar um documentário a transmitir na RTP2, que visa a degradação em subúrbios de algumas cidades portuguesas, bairros sociais e delinquência juvenil. Aditamento: Câncio tem larga experiência ao abrigo deste tema, pelos artigos e peças que lhe dedicou. Opróbrio: É supostamente namorada de Sócrates e cronista no DN. Este impasse doentio de alguém que é “o escolhido” para algo, ter de se reservar ao silêncio, cumprir os protocolos internos de comunicação, sacrificar a sua própria vida privada, tem sido o cabo dos trabalhos para o ethos social democrata.
Agora na sua versão hetero, Sócrates é novamente vítima de um ataque à sua intimidade e honestidade trazendo para terreiro a estratégia do boato e da “conversa de café”. Reforçada por mais um argumento de peso dos indefectíveis da “sarjeta”: a de que é uma jornalista de “causas”. Não serão todos? Alguém me poderá definir concretamente o que é isso? Será de usofruto exclusivo da política e da solidariedade social? Até me convencerem do contrário, não. Para o PSD, o Eng. Sócrates é o responsável por uma senhora vivida, experiente e ciente de si, ganhar a vida na função pública, porque sim. E por ser tão ridículo, as problemáticas entre o público e o privado entranham-se. É, como já escrevi anteriormente, mais um exercício de calúnia e especulação de “alcoviteira” com o bafo a magazine cor-de-rosa, no domínio do completo caos.
Separar águas, alinhar coerências, ter sentido do passado. Algo que devemos ter em conta sempre que analisarmos promiscuidades de “cunhas” e incompatibilidade de funções. O que, aqui, não é o caso.

PS: À hora em que escrevo isto, já as eleições para o novo líder, vão de vento em popa. Menezes não terá de preocupar muito mais (nem nós) mas algo não mudou nem mudará com uma simples brisa “cavaquista”. A direita sem rumo.  

Ainda sobre o caso:

O jornalismo de “causas” e os factos do jornalismo
Truque Manhoso
Não aprenderam nada


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