13
Abr
08

MIGUEL PORTAS NA UTAD.

Por que caminhos se regem vocações tão tangíveis e ao mesmo tempo díspares como a comunicação social e a política? O que faz com que esses mesmos caminhos, aparentemente próximos e complementares, se distanciem por autonomia das suas funções?
Estas foram algumas das questões postas em debate na mais recente conferência sob o título: Política e Jornalismo; que teve lugar no Auditório 1.10 do Complexo Pedagógico da UTAD.


Realizado na terça feira, dia 8, por iniciativa da Rádio Universidade FM (UFM), este colóquio contou com meia casa para assistir a um fervilhante debate de cerca de uma hora com os anfitriões “da casa” José Esteves Rei, coordenador do Curso de Ciências da Comunicação, e Luís Mendonça, director da UFM, a preparar terreno para a intervenção do terceiro elemento, que dominaria a partir daí o grosso da conversa. Ilustre convidado esse, nada mais nada menos, que o eurodeputado pelo Bloco de Esquerda Miguel Portas que fez questão de partilhar o seu percurso profissional enquanto jornalista conciliando-o com a não menos calejada carreira política, numa visita à capital transmontana para um ciclo de debates.
Vindo da velha guarda de formação por “tarimba” e confessando que o interesse inicial pela profissão despontou pelos comunicados políticos na época salazarista, Portas não deixou os seus créditos por mãos alheias e confirmou os dotes de bom orador que o caracterizam, silenciando uma vasta plateia embevecida pelas palavras por vezes duras e polémicas mas sempre sóbrias e convictas do dirigente bloquista.
Com um discurso nitidamente (como o próprio reconheceu) virado à esquerda, embora sempre com requintes de brilhantismo, ora referindo-se a velhas glórias de Trás-os-Montes como o Coronel Melo da Costa ora desarmando algumas perguntas mais difíceis, o eurodeputado manteve-se fiel ao seu ideário socialista lançando fortes criticas à precariedade do trabalho e à rendição do ofício ao sensacionalismo e ao mercantilismo da informação.
Um apaixonado pela politica que confunde mesmo essa predilecção com a mais pura condição de cidadania, Portas tratou de enunciar de uma forma ligeira e empenhada as diferenças e convergências dos dois temas em debate, antes ainda de reiterar a confiança que o povo português, por suas palavras “ainda nutre pelos políticos, pois na amplitude das forças sociais é ao politico o voto confiado já que é o que menos se espera que minta” e a sua paixão pela língua deixando em tom irónico “eu sonho, penso e falo em português, não em bruxelês”.
O jornalismo, segundo o próprio “conta uma história que a bem da sua análise exterior é uma tentativa de aproximação por sucessivas camadas de uma verdade partilhada” um método que limita o acto de exercício político já que este, “obedece à projecção dos factos, não à sua narrativa”.
Os minutos finais da sessão reservaram-se para uma saudável troca de perguntas e respostas a que ninguém se coibiu de participar. Houve até espaço para questões mais íntimas, motivadas pela tensão familiar que se pressente no sobrenome Portas, nada que o convidado não estivesse à espera. Terminou assim a conferência dedicada às relações bilaterais entre os media e a política, sublinhando o papel do jornalista como forte mediador social, por vezes indissociável da própria acção política, num debate que girou em torno da sua estrela maior: o mais velho dos irmãos Portas.


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