30
Mar
08

“The Lovebirds” – Uma viagem por Lisboa.

Pergunte-se que visão toponímica da Portugalidade premente – ou a bom rigor, da capital – terá um nosso emigrante em nova Iorque que partiu como músico e voltou como cinéfilo? Que a usa a seu bel-prazer como pano de fundo do seu caldo de cultura e lhe dá uma muy característica representatividade nocturna ao desembargar uma série de estórias que conjuntas compõem o seu mais recente filme?
Apresento-vos Bruno de Almeida e a sua mais recente obra “The Lovebirds” um testemunho de resistência ao cinema de grande escala (vulgo, Blockbusters) cointerpretada por amizades de datas americanas (Michael Imperioli e John Ventimiglia de “Os Sopranos” e Drena de Niro, filha do dito cujo) e corealizada pela nova proposta de filmagem digital que o jovem cineasta imprime activamente fruto do voluntarismo, deleite e interacção que pautam estas seis histórias que se cruzam e descruzam, roubando protagonismo anacronicamente e golpeando a alma no silêncio gritante de um palco intemporal e inspirador.


É nesta colecção de vinhetas que a liberdade criativa e os focos de intensidade se redistribuem ao abrigo do livre arbítrio do autor. Incorporado, também, pelas participações sui generis de Joe Berardo (como produtor de cinema), Fernando Lopes (decano do cinema de expressão portuguesa) e dos actores “tugas” Rogério Samora, Joaquim de Almeida e Ana Padrão esta longa-metragem tem o condão de estampar as várias “realidades” do autor em momentos simbólicos do (dito) cinema europeu, “diálogos emocionais” que percorrem idiossincrasias pós-modernas expressas na própria imagem descritiva dos actores e nas sátiras mordazes que vagueiam o filme na Lisboa que anoitece.
“The Lovebirds” é um filme descomprometido, de amigos. Que progressivamente se consome pela câmara do realizador. E por essa razão exige muito mais da crítica e do espectador na sua contemplação do que ao seu próprio feitor. Podemos considerá-lo amador e displicente ou um corajoso sopro de resiliência perante a subsidiodependência vigente e padronização de costumes. Não existe é retorno possível atendendo à verdadeira natureza do filme. É um filme distante que cativa e prende a atenção por lugares e cenas comuns e que se liberta pelo interior da cidade conjugando enquadramentos e filmagens espontâneas, elípticas e egoístas.
Destaque para a confissão quase homoautoral de Fernando Lopes no seu monólogo dentro do “ringue” e para as cenas alegóricas de descoberta de um “novo mundo” personificadas na cumplicidade entre Imperioli e Ana Padrão.
“The Collection” já tinha sido assim, vindo da excêntrica Nova Iorque e pronto para “recomeçar” Bruno de almeida liberta-se de homenagens missionárias (“The Art of Amália”, 2000), de paródias anárquicas (“O Candidato Vieira”, 2004) e abraça o embrião solitário do “indie digital” versão high tech de um artesanal e autosuficiente John Cassavetes do séc. XXI.
The Lovebirds é pela modéstia e improviso a espinha dorsal e o apêndice do olhar de um português para Portugal, lapidada por uma forma tão rara de fazer as coisas: independência.


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