22
Mar
08

Virtuosismo Africano.


Toumani Diabaté

The Mandé Variations

Ed. World Circuit;Distr. Megamúsica

 

 

 

Há algo de inexplicavelmente belo nesta música que nos transporta, por paisagens etéreas e ao colo de um purismo artístico tipicamente rústico, ao mais essencial testemunho de vitalidade artística Africana

Depois de 19 anos de colaborações com artistas do calibre de Ali Farka Touré, Ry Cooder ou Taj Hahal e intensos concertos com a sua Symmetric Orchestra, “The Mandé Variations” vem suprir o hiato imposto pelo primeiro álbum de originais e a solo (“Kairo”), deste génio Maliano com o seu objecto de estimação, a exótica Kora.
Habituado a tocar desde os 5 anos por influência do pai este peculiar instrumento aparentemente agraciado pelos Deuses, Toumani Diabaté transcende-se mais uma vez e apresenta-nos, na linha do que foi o seu disco de apresentação, oito faixas emanadas do rico e particular imaginário tradicional Africano, do seu cancioneiro e da potência em bruto que irradia este primado musical.
Oito faixas indistinguíveis que perfazem uma longa e deleitosa melodia rasgada por improvisos repentinos e uma base rítmica de baixo – com referências ao tribalismo e a algo que poderíamos chamar, passe o paralelismo cinematográfico, de «música de autor».
E Toumani é exímio a tocá-lo. A bem da verdade, a profundidade que assola esta quase uma hora de audição toma contornos metafísicos e de extrema sensibilidade na exegese sonora de cada um. Há algo de inexplicavelmente belo nesta música que nos transporta, por paisagens etéreas e ao colo de um purismo artístico tipicamente rústico, ao mais essencial testemunho de vitalidade artística Africana.
Um conjunto de músicas que respira folklore local mas que serve também como extensão do indivíduo perante o objecto. Não será exagerado dizer que os dois fundem-se, tal é o perfeccionismo e a tranquilidade do executante e do executado.
Imprescindível para quem quiser (re)descobrir o estado mais puro da espiritualidade musical. Recomendado para qualquer hedonista e libertário errante à mercê da World Music actual.
Resumindo: algo que toda a gente deveria escutar pelo menos uma vez na vida descomprometidamente e em nome da arte pela arte.

Alinhamento do álbum:

1 Si naani 10:28
2 Elyne Road 8:48
3 Ali Farka Toure 6:18
4 Kaouding Cissoko 6:25
5 Ismael Drame 5:44
6 Djourou Kara Nany 6:51
7 El Nabiyouna 6:02
8 Cantelowes 6:56

 


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