20
Mar
08

Jogos Olímpicos da vergonha.

Numa encruzilhada entre a herança histórica maoísta e a exploração económica do seu capitalismo selvagem. Assim se vê no novo milénio a mais poderosa potência crescente do Globo. Um híbrido implacável pairando entre a rigidez interna dos seus concidadãos e o desrespeito pelas medidas ambientais consagradas em Quioto. O condicionamento dum direito para nós tão banalizado como a liberdade e o liberalismo económico ocidental coadjuvado pelo favorecimento fiscal de imigrantes e a antítese na protecção laboral da sua população. Por outras palavras, a China está se bem marimbando para a ética ocidental e para purismos ideológicos e filosofias budistas. Modernizaram o seu comunismo encapuçando-o de corrector de bolsa. Descobriram a fórmula do sucesso e não pretendem abdicar dela. Nem que para isso seja preciso abalroar um tesouro cultural milenar, património mundial perdido nas largas encostas e cadeias montanhosas Tibetanas. Vem isto a propósito de mais um caso de convulsões socias e do tema que está nas bocas do Mundo.

Quis o Comité Olímpico Internacional (COI), que Beijing (Pequim) fosse a cidade escolhida para acolher os Jogos Olímpicos deste ano. Como já não bastavam os protestos de alguns atletas perante o smog que envolve a cidade com sérios riscos para as performances nas modalidades da maratona e marcha, tinha de vir esta polémica para arruinar as suas pretensões de elegante anfitrião de baile de gala. Como sempre, as fraquezas descobrem-se debaixo dos lençóis e esta maçada veio à tona sob a discutível legitimidade Chinesa em cumprir o que estava prometido. Este vosso escriba como não tem tento na língua nem pretende prestar contas a blocos de interesse e a partidos (passe a redundância) acusa o Partido Comunista Chinês de genocídio cultural e repressão por uso de força de uma região soberana e com as valências necessárias para se desvincular de qualquer agregação imperial. Não nos esquecemos que esse império infindável que é a República Popular da China teve a sua génese numa confederação de povos, uns subjugados a outros numa galopante conquista de base.

Posto isto a verdade é que se tentou por este mundo social, democrata, rico e tolerante desvalorizar e, em alturas várias, desvirtuar tais factos. O COI nem sequer ponderou a interrupção dos trabalhos. A ONU safou-se de mansinho e sacudiu a chuva para outra capota. Os EUA… bem os States têm mais é do que se preocupar com isto. Até o Comité Olímpico Português já veio mostrar a sua concordância com a gerência. É claro que o princípio da passividade das Nações e Estados Unidos assenta que nem uma luva para não acordar o monstro adormecido. Para quê, preocuparem-se com ninharias? Para quê, reclamarem os nobres ideais Olímpicos? No final, tudo será uma reedição do que se passou anteriormente. Ou seja, nada de alarmes, nada de boicotes. Algumas almas podem pagar o custo dos flashes e correrias com a tocha acesa.

A propósito, Francisco josé Viegas:

“O capitalismo perdoa aos chineses todas as perversões cometidas, em nome do mercado; alguma esquerda perdoa à China todos os desvios em nome de um realismo incalculável. Os Jogos Olímpicos, até agora, têm sido cenário de grandes cedências e de grandes hipocrisias – mas nenhuma ultrapassa as de Pequim.”

Publicado, no Informativo, 24/03/08.

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