Arquivo de Fevereiro, 2008

29
Fev
08

O que de melhor se escreveu por aí, em Fevereiro.

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26
Fev
08

Descubram as diferenças.

25
Fev
08

A beleza no meio da lama…

Desde sempre que a humanidade, por via de estereótipos sociais e religiosos, estabeleceu correlações putativas entre conceitos, tendo em vista a harmonia e o que os gregos chamavam de Ética e conduta durante a vida. A falácia mais natural dentro destes termos foi sempre em conjugar a beleza com a bondade – o bonito e o bom, como se estas fossem deliberações divinas, partes de um mesmo corpo imunes ao grotesco, ao feio, ao disforme e logo ao horrível, ao imperfeito, à contradicção da própria conduta humana. Protagonista de alguns dos melhores filmes de terror clássico da história do cinema, como o Corcunda de Notre Dame (no qual ele retrata a sua personagem, no texto a seguir), The Phantom of the opera ou The Mask of Love, Lon Chaney surpreendeu-me com estas palavras revelando que mesmo para as suas terríficas interpretações a sua inspiração vinha do carinho e dedicação que recebia e que dava aos que amava. Um incompreendido, no seu tempo.

Confissões de um homem, que bem além do seu estatuto de marco geracional do cinema mudo ou de ter feito uma das mais brilhantes carreiras na Hollywood dos anos 30, apenas quis dedicar a vida aos seus… “amigos”:

“O que eu queria era relembrar as pessoas que os mais baixos tipos de humanidade podem ter, nos seus corações, a capacidade para realizar um supremo auto-sacrifício. Seja o anão, seja o mendigo deformado das ruas, eles podem ter os mais nobres ideais. Eu tenho estado actualmente em contacto com essas pessoas, os cães vadios, os piores resíduos de humanidade… um contacto que, provavelmente, muitos de vocês que estão lendo isso nunca tiveram. Quando tu vês uma criatura deformada ou miserável, instintivamente foges dela. Os teus filhos têm medo dela. Adolescentes podem goza-la e insultá-la. Mas que é que vocês conhecem sobre ela, verdadeiramente? Pensa que ela, como o meu Corcunda de Notre Dame, pode estar simplesmente a desejar ‘entregar sua vida por um amigo’“.

by Lon Chaney

(continua…)

25
Fev
08

E quando a realidade se imortaliza, pela voz de um génio!

Hurt – Johnny Cash

24
Fev
08

Quando uma mensagem se torna parte da realidade!!!

 HURT – Nine Inch Nails

I hurt myself today, to see if I still feel
I focus on the pain, the only thing that’s real
The needle tears a hole, the old familiar sting
Try to kill it all away, but I remember everything

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know, goes away, in the end

And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

I wear this crown of shit, upon my liar’s chair
Full of broken thoughts, I cannot repair
Beneath the stain of time, the feeling disappears
You are someone else, I am still right here

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know
Goes away in the end

And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
If I could start again
A million miles away
I would kick myself
I would find a way

by Trent Reznor

24
Fev
08

É arte, e depois?

A Evolução natural do Homem e as relíquias naturais que prevaleceram (Foz Côa) indicam que a arte tem acompanhado as manifestações humanas desde a Pré-história até hoje. As civilizações, tribos e os seus sectores gregários exprimiam-se de uma maneira particular dando forma a uma cronologia que delimitava, no espaço e no tempo, os diferentes movimentos artísticos. Que se modernizavam, complementavam ou simplesmente se substituíam.

Ernst Gombrich, famoso historiador de arte, afirmou que “nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas”. E a bem dizer, a perspectiva deste Austríaco vai ao encontro da confusão conceptual que se atribuiu à segunda metade do século XX e à Pangeia político/económica, que a intensificou: A arte Contemporânea. Mas que tipo de arte é esta e que efeitos práticos tem na cultura actual?

Continue a ler ‘É arte, e depois?’

24
Fev
08

Crónica Dominical

Domingo, 8h30 matutinas. Levanto-me atarantado com o alarido familiar, amaldiçoando a ressaca do noite passada com o meu mau acordar crónico.Com a cabeça a latejar dirijo-me para a cozinha. Tomo o café à pressa, visto o casaco e ouço as “últimas” na rádio: o crescimento estagnou no último trimestre, o F.C.Porto ganhou de novo e mais um caso arquivado em qualquer tribunal deste nobre País. Tudo normal.

Ao sair de casa, encontro-me com os “amigos de época” e partilho com eles a minha insatisfação dominical, naquela manhã tão bonita para dormir.

Chegados ao passal da igreja, deparo-me com as beatas e os seus livros de coro comentando entre si como foi bonito o último baptizado paroquial e como desafinou o grupo coral.

 Agrupam-se em duas filas para serem as primeiras a dar os bons-dias ao Padre.

O padreco, como lhes chamam os varonis bebedores da taberna, gozando com o seu sotaque Beirão ao mesmo tempo que rejubilam por nunca lhes ter sido imposto o celibato. Na realidade, pensam eles, isto de ser padre até compensa e depois se quisermos comprar algo, naquele aperto do fim do mês, basta fazer uma colecta à comunidade invocando património de Igreja. Fácil, não é?

Engraçado! Estes preceitos logísticos sempre me exclamaram algo, como se de situações diferentes se tratassem. A Comunidade na Igreja, a populaça na praça pública.

Mas adiante, chegando à arcada da igreja contemplada pelos atrasados, do qual eu sempre fazia parte, observo a azáfama das senhorinhas à volta do sacerdote escolhendo a dedo os acólitos. Acólitos esses, filhos dessas mesmas senhoras e dos rudes taberneiros.

Um micro ambiente social que possibilita não só estas meras coincidências como potencia o embrião da coscuvilhice e o divertido confronto mental entre os mais bem vestidos da Eucaristia.

E eu, lá no fundo, um dos últimos a entrar, com as calças rotas e de olheiras salientes esforço-me por distinguir aquele excêntrico quadro à minha frente duma qualquer gala da casa do povo, em comemoração do rancho folclórico local. Mas o que interessa, é chic! Mesmo que para isso seja preciso usar uma saia verde com uma blusa violeta e bolsa branca. Desde que, e isto que fique bem claro, seja da Gucci, Louis Vuitton ou Tiffany’s.

As pernas começam a tremer (estou de pé) e as despesas da última noite começam a ser pagas. Os meus amigos riem-se do meu estado enquanto o Padre introduz o tema da homilia: a valente descasca que Bento XVI deu aos seus súbditos cardeais Lusos.

Vai ele debitando a sua Santa afiliação em saco roto, inicio eu a minha reflexão, bem longe daquele altar, sobre o porquê das palavras do ilustre alemão quando criticava a falta de empenho da sua Selecção Portuguesa na convocatória semanal e o excesso de protagonismo das suas Sagradas vedetas.

Convenhamos, a tela pintada por Ratzinger era dedicada àquela Assembleia de Fiéis que eu testemunhava. Como podiam ser aqueles memoráveis dias de fanatismo religioso a que muitos alcunham de Culto Mariano. Porém, sejamos sinceros, neste caso o artista não necessita estar presente para reproduzir a fealdade da sua obra. Como Sua santidade o disse, eu estava a presencia-lo e imaginava em outras tantas igrejas por esse País fora.

Pobre Papa. Imbuído na sua doutrina, ousa criticar os seus caudilhos portugueses mas esquece-se que isso de nada lhe valerá enquanto o seu estatuto de transição não se esfumar.

Enfim, finda a homilia, ajoelham-se todos num acto de supremacia Ocidental perante aqueles retardados que irracionalmente se valem de Meca com o rabo virado para o Céu. Acotovelam-se para receber o Corpus Christii e tentam sacar das suas velhas carteiras a maior nota que tiverem.

Revoltam-se logo a seguir, injuriando o padre, por este ter omitido a missa do Sétimo Dia, nas suas notas finais.

Acaba a celebração.

E eu, triste farrapo naquele manto de virtudes, esgueirando-me pela ponta e recebendo os últimos piropos da minha geração, fico a pensar que o Papa Bento, afinal até tinha razão.         




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