Instrumento de enorme valia nas sociedades liberais democráticas para a propagação de ideais e posições cívicas, a opinião pública assume-se hoje em dia como um grande indicador de representatividade colectiva nos espaços de decisão politica e social. Aliada a um cada vez maior despertar de interesses pluridisciplinares, a opinião pública foi ganhando ênfase na condução dos aspectos mais acessórios até aos mais determinantes, na vida política das pessoas. Servindo como fio de condutor entre os sectores de poder e os beneficiários dessas decisões, ela encerra em si grande da parte da responsabilidade social própria dos processos democráticos, exercendo uma liberdade individual implementada na representatividade de um dado grupo social. Segundo o historiador, Maxwell McCombs, opinião é o “conjunto de crenças a respeito de temas controvertidos ou relacionados com interpretação valorativa ou o significado moral de certos factos” (McCombs 1972: p.25). Na verdade, a opinião pública difere substancialmente da opinião individual, pois é de uma assinalável dinâmica, bastante elaborada pois não corresponde a uma mera soma de opiniões casuísticas. Sendo na sua essência uma parcela comunicativa como composição de uma mensagem, ela é influenciada pelos canais de comunicação massiva e pela comunidade que a cerca ou pelo sistema social de um país. A vontade espontânea da população nem sempre corresponde à complexidade da opinião pública, já que se relaciona com vectores mais profundos e estáticos (Bohman 1996: 178-181).
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O que chega a ser pornográfico neste texto (ao contrário das actividades modernaças e heréticas dos novos tempos) é a falta de argumentação legível, o excesso de lugares-comuns destes ultra conservadores, a insistência em não querer ver; em não querer o adaptar em nome de um estado de estupor quase ininterrupto destas religiões monoteístas. A Igreja Católica já perdeu o rumo do vil progresso e da malfadada modernidade para muitos crentes e leigos. Resta saber onde chegará esta cruzada dos novos tempos, ao tentar justificar o injustificável e colando a cacos teorias e teses de «bradar aos céus». Pois e assim me confesso, seguramente que o avanço cultural e social do ocidente não se deve só ao brilhantismo dos nosso humanistas, cientistas e artistas mas também ao carácter tolerante e benemérito do nosso credo. É imperioso recuperá-lo.
O Antídoto.
“E se fizéssemos um livro e um disco como nunca se fez?” E fizeram. Duas das entidades culturais mais significativas deste país juntaram-se num projecto ímpar reunindo as mais vastas impressões, receios e inspirações que acalentam, sob o signo antídoto. Entre a gélida Escandinávia e o Sul do mediterrâneo os actores deste projecto concentraram esforços e seduzidos por uma forma comum de ver as coisas, produziram uma obra pioneira e primordial. O que é o antídoto na recepção do binómio Moonspell/J. L. Peixoto? Pode ser tudo sem ser nada. Aquela sede primária, vital e obsessiva num cenário de afogamento letal e triunfante. O último e grande suspiro que se liberta de um moribundo. Um grito mudo e visceral, rompendo um silêncio que nos sufoca. A capacidade de escolher a nossa “verdade”. A liberdade de ceder essa “verdade” aos outros.
Esta é a pergunta que se impõe e que tem levado ao impasse da nova geração de jornalistas que materializa toda a frustração na continuidade dos seus futuros à frente das redacções e a ameaça invisível do trabalho precário e escassez de vagas. Numa amena troca de palavras, discutiu-se a presença dos suportes multimédia no exercício jornalístico moderno à conversa com alguns colegas meus da universidade, na disciplina de Economia política dos Media. Contraditório, múltiplas perspectivas e aditamentos é o que nos reserva este debate que vos transcrevo de seguida. Aproveitem:
Continue reading ‘Achas que o jornalismo on-line vai substituir a imprensa em papel?’
- “Intervenção sobre a política Chinesa…”, in Aba da Causa.
- “O protestante convicto”, in Espinho na carne.
- “Patriotismos”, in abrupto.
- “Pedro Bandeira Freire”, in Geração de 60.
- “O jornalismo de “causas” e os factos do jornalismo”, in Zero de conduta.
A urbe condensada dum diário.
Artista: Benga
Album: Diary of an Afro Warrior
Ano: 2008
Esta descoordenação musical revela-se o verdadeiro trunfo deste “diário” totalmente submerso em ambientes soturnos e pouco transparentes sob a síncope sub-grave que atravessa o seu epicentro. Pressente-se aqui algo de bastante inovador quase alienável. Atesta-se a fertilidade do dubstep pelas mãos deste teenager e regista-se o seu estado de saúde: referencial.
Shot da semana #3
«O acto de apontar o dedo (Media) é uma das mais dignas e difíceis missões cívicas, dentro de um Estado de direito. (…) O jornalista necessita perceber quer ser limitado de um ponto vista funcional, é também uma qualidade do jornalista. (…) O político não estará obrigado a contestar a qualquer pergunta. Pode contorná-la ou no máximo, omitir a resposta.»
by Miguel Portas
Ainda na ressaca da passagem do bloquista pela minha universidade, convém dissertar por alguns momentos as suas palavras, idas ao encontro do papel do jornalista na sociedade, arrogadas pela surpresa e heterodoxia com que foram proferidas a algumas dezenas de formandos na especialidade.
Se a primeira parte da pergunta ainda levantou alguma consenso nas hostes, o que faltava de polémica e discórdia revelou-se por entre fracções de palavras que pouco combinam como «limitado» e «jornalista» ou «político» e «omissão». E o caso não foi para menos, embora não seja um indefectível das suas teorias Miguel Portas só veio teorizar a prática corrente. O jornalista não precisa de ultrapassar nem ser ultrapassado pelo busílis do seu trabalho. Na mesma linha, o político moderno que ainda representa os valores adquiridos de uma democracia republicana (e nisto gostava de ser bem explícito) não necessita, nem deve se dispôr a um interrogatório inconclusivo, desnorteando a sua “verdade partilhada”, devendo isso assim assumi-la e defende-la usando as ferramentas possíveis e contempladas no seu rol de direitos.
Terminando, nem tudo o que parece é. E se do lado do jornalista o papel é escrutinar e dissuadir a seu favor o político no seu papel social, não podemos exigir a estes que se fragilizem dando o corpo às balas de qualquer inquiridor.
- “Quando é que a “velha” cai?“, in Blogue Atlântico.
- “Orgulho Português“, in O Batuta.
- “A mentira em política“, in Estado Civil.
- “Lector Intende:Laetaberis“, in Abrupto.
- “Quando acaba o Holocausto?“, in Combustões.
Será mesmo ?
Preparam-se para encarar um “Portugal” que não veêm em jornais, blogues, nem nos mais pessimistas comentários. Esta é uma visão realista, de sucesso, de um país sem mediatismo nem reconhecimento. Admito que na primeira vez que o li, senti-me desconfortável tal era o distanciamento com o país apreendido que nos esbanjam pela casa adentro. Afogado por este “Portugalinho” falhado que serve para alimentar o ego de muita gente e vender jornais. Afinal, depois de ler isto, o caro leitor concluirá que na maioria dos casos só nos deixam ver aquilo que nos desanima e nos envergonha – o Portugal na lama. Porque esta mentalidade autofágica e mutiladora, adicta de crenças e opiniões acéfalas é o reflexo da lavagem cerebral que não nos deixa enxergar «o caminho» e «a missão».
Convosco fica o Portugal de Nicolau Santos, director-adjunto do EXPRESSO:
Shot da semana #2.
by José Pacheco Pereira, in Abrupto.
O problema que se coloca actualmente no PSD não são as supostas elites a fazer pressão interna tampouco é a liderança do Engenheiro Sócrates. Impõe-se pela acção inócua e anódina de uma opção para 2009 que de facto não é. Que se descredibiliza a cada momento que a sua leadership abre a boca em público, recorrendo ao populismo mais barato de atacar uma proposta sem viabilizar nenhuma alternativa. Desfazendo a simbologia histórica e referencial de um logotipo em nome da moda Sarkozy. Caracterizando uma incoerência pública escandalosa pautada pelas intermitências de Menezes, pela incompetência de Santana e pela grosseria de Ribau. Algo se passa, no reino social democrata.
“Shot” da semana #1.
Num pequeno comentário o estudante Tiago Mendes, reflecte o essencial do grosso da questão. A questão massiva é a indignação contagiada pelos professores, já aqui por mim interpretada, numa perspectiva de informação. Discute-se o quê, é a questão levantada pelo meu jovem colega. A insipiência de causa e luta e a histeria colectiva são a palavra de ordem. Ao mesmo ritmo da cantilena corporativasta: “Está na hora de ir embora!”
No final, o que resta é a urgência reformista de estruturas bloqueadas e obsoletas. E o diálogo interorganizacional que se sacrificou pela carcaça de uma manifestação vistosa e – como veremos daqui a uns tempos - inútil:
Propaganda & Jornalismo I.
Se decidirem recorrer a uma autoridade intelectual e procurarem no dicionário de Língua portuguesa os termos jornalismo e propaganda, provavelmente encontrarão definições ligeiramente diferentes uma da outra: para propaganda como acto ou efeito de propagar ou difundir um ideia, opinião ou doutrina; para jornalismo como forma de expressão que caracteriza os meios de comunicação social ou conjunto de meios de difusão de informação.
E isto vem a propósito de quê, perguntará o atento leitor.
Surge, pela dificuldade em conceber, hoje em dia nos media, certos critérios e metodologias com que se avançam para questões de inegável relevância social e que requerem de todas as forças civis (comunicação social incluída) a maior atenção e seriedade.
Não se percebe como, num espaço que se quer de ampla discussão com oratórias heterodoxas de parte a parte, as televisões que cobriam a greve dos professores, tenham alimentado a histeria contestatária e convidado a Ministra da Educação a responder a certas perguntas, por transeuntes, do tipo: “Porque é que não se demite? ou “Percebe alguma coisa de Educação?”
Não se percebe de igual forma, que
entrevistas importantes e fiscalizadoras da ordem pública, como as da “Grande Reportagem” sejam conduzidas com tanta ligeireza, sem ser incómoda, num ritmo frouxo sem rasgos, do estilo late night show.
Ao ignorar algumas das regras básicas adjudicadas à sua prática profissional – a investigação; pesquisa; inovação – a classe jornalística contribui para o circo colectivo que se estabeleceu na baixa Lisboeta e para a projecção mediática de políticos engenhosos e demagógicos.
Ao invés, de dissecarem os casos com explicações científicas, quadros de referência ou retrospectivas gerais, preferem brindar-nos com perguntas de domínio público ou acusações passageiras que nada de novo trazem para o escrutínio político dos temas.
Ao veicular insultos gratuitos e teorias pedantes, os órgãos de comunicação social vêm substituir o seu papel de mediador social pelo de propaganda política
E aí, é que as definições vistas e revistas nos dicionários, enciclopédias e “wikipédias” começam a aproximar-se de um ponto de vista prático. E a fronteira ténue entre propaganda e informação começa a esmorecer em nome do absolutismo.
Os EUA e o Mundo.
Ao permitir-me escrever estas linhas dou azo à minha reflexão sobre o Estado do Ocidente nos dois lados do Atlântico. Uma América a tentar reerguer-se do colapso de quase oito anos de uma incompreensível administração Bush e uma inconstante e diletante zona Europeia que cada vez mais se evidencia como lembrete daquilo que foi numa figura de ancião avulso à mudança e expectante quanto ao aparecimento das novas “potências” do Mundo Global. Mas não é sobre a situação das instituições e organismos governamentais que vos falo neste texto. O meu raciocínio é um tanto mais profundo.
Dando como adquirido que as sociedades modernas estão em mudança constante, aprender a mudar a nossa forma de pensar ajustando-as às necessidades e idiossincrasias actuais, nem sempre é tarefa fácil. Pelo contrário, é mais fácil resistir à mudança do que tentar aceitá-la ou pelo menos permitir-se a experimentá-la. Ir na onda da crítica fácil e da análise superficial tem sido a prática habitual de uma sociedade de informação viciada e igualmente superficial
Distantes que estão todas as movimentações históricas, migratórias, culturais e reivindicativas ainda que presente em muitas consciências, pelas boas e as más razões, há que assentar um modelo social de integração e convergência nas múltiplas plataformas e conceitos que se conjecturam beneméritas às minorias, correspondidas por raça, sexo, credo e cor.
No que toca à compreensão dos EUA e dados os episódios mais recentes da história do País se me perguntarem se este conceito é de fácil aplicação, replicarei de imediato que não, atendendo às próprias origens e progressos de tão vasto País. País esse, que não é mais do que uma amostra difusa e extraordinariamente dinâmica daquilo que nós, Europeus, Africanos e Asiáticos, somos.
Acima de tudo e respeitando os legítimos mas falíveis conceitos de salad bowl ou melting pot, os EUA representam o sucesso e a grandeza do “novo mundo”. Um Éden de esperança em que todas as diferenças se esbatem num modelo plural que ninguém se atreve a qualificar ou classificar. Um Modelo que os leva a todos a defender a sua bandeira e o seu hino. Em síntese, um mosaico cultural numa sala vertiginosa de janelas abertas ao Mundo que materializa a ideologia nacionalista de um mantra europeísta.
É curioso no entanto, repararmos nas mais ressaltivas orientações sociais e nacionais, de cada um dos lados do Atlântico, pois desde sempre compreendi a América como um grupo de Estados Unidos a concorrer frente a Estados Isolados. Estados compostos por gente diferente de tradições singulares, unidos por um Sistema Político aglutinador, mas que ao fim e ao cabo, não passa disso. As características diferentes e distantes inter pares, permanecem sem se tornarem residuais.
Do outro lado da barricada, os meus botões me dizem, que a grande ambiguidade Europeísta do novo século reside no contra-senso em se tornarem a profecia dos Estados Unidos da Europa por fragmentos nacionalistas cujas sucessivas divisões étnicas, religiosas ou mesmo politiqueiras, estruturaram o “Velho Continente” num demorado e impaciente “puzzle” geográfico. O Kosovo é só mais um exemplo do que menciono, parecendo-nos unidos perante o Mundo numa efervescência separatista de dimensão empírica criteriosa.
Por terras de “Tio Sam” isto não se verifica por uma razão muito simples: sempre conviveram com esta “filosofia de alteridade” desde o seu germinar até à candidatura presidencial de um Afro-americano. E encaram-na como uma realidade permanente e irreversível.
Ao condensar o que de melhor e pior nós temos, os norte-americanos esboçam, da mesma forma, as atribulações e implosões sociais que vão ocorrendo nos lugares-comuns de cada canto do planeta. Como se fossem espelhos disformes de todos os outros.
A possível eleição democrata apelará a isso e ditará os destinos da América no que toca ao terrorismo a à radicalização do gosto. E vem pôr término à proselitista e demagógica teoria de que “quem não gosta de Bush, não gosta da América”. Como se não houvessem razões de propriedade moral e intelectual a apontar a tão triste e evangélica figura.
Para que a normalidade se reinstale, basta que se apele ao Humanismo e á Tolerância. Que é Europeia de certidão, e Americana de testemunho.
Não que as ditas revistas masculinas suscitem grande interesse e relevância à linha editorial aqui do blogue (mesmo considerando as horríveis análises de actualidade da “Maxmen”) agora, o que me fez publicar em seu nome foi este incompreensível e anedótica declaração de João Godinho director da revista FHM, justificando o não pagamento das respectivas “posers” mensais da revista:

Belas referências numa “dança a dois”, porque a FHM não utiliza as suas mulheres como “objectos” mas sim como “produtos” onde tudo se vende menos a hedónica honra e respeitinho intrépido que bem são precisas numa época em que se “desvirtua os valores” de revistas masculinas. Sim, valores que são equitativos tanto para A FHM como para a Playboy. Soa-me é a falso pudor, mas isso sou eu que não percebo nada disto e além do mais não conheço as regras do”jogo”, nesta “dança” da decadência entre um figurão público analfabeto e uma revista que baseia a sua existência em trocos perdidos na algibeira por um belo par de “mamas”.
Vide: Uma palhaçada das antigas.
A diferenciação jornalística.
A propósito da renovação gráfica de vários jornais portugueses e da dimensão empírica de algumas consultadorias e agências de imagem nos mesmos, achei por bem publicar aqui um artigo de opinião de José António Saraiva director do Semanário Sol e ex-director do Expresso que foca no essencial o papel que a comunicação social deve assumir atendendo ao seu espaço e tempo e dirigido a um público que embora silencioso é determinante nas escolhas e decisões de um jornal moderno.
Passo a palavra ao Arq. Saraiva:
- “O laser que perseguiu Ronaldo”, in Abrupto.
- “A mansão jubilosa da Natureza” , in Combustões.
- “Por que não te calas?“, in Arrastão.
- “A vida em flashback” , in Da Literatura.
- “Eles deram em falar de forma gira” , in DN Online.
É arte, e depois?
A Evolução natural do Homem e as relíquias naturais que prevaleceram (Foz Côa) indicam que a arte tem acompanhado as manifestações humanas desde a Pré-história até hoje. As civilizações, tribos e os seus sectores gregários exprimiam-se de uma maneira particular dando forma a uma cronologia que delimitava, no espaço e no tempo, os diferentes movimentos artísticos. Que se modernizavam, complementavam ou simplesmente se substituíam.
Ernst Gombrich, famoso historiador de arte, afirmou que “nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas”. E a bem dizer, a perspectiva deste Austríaco vai ao encontro da confusão conceptual que se atribuiu à segunda metade do século XX e à Pangeia político/económica, que a intensificou: A arte Contemporânea. Mas que tipo de arte é esta e que efeitos práticos tem na cultura actual?
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