Arquivo de Abril 19th, 2009

19
Abr
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entre um horizonte e um pixel

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“Any guitar player worth his salt is basically a thug,” his lead singer, Iggy Pop, once said. “They test you with that thug mentality. They ride you to the edge.”

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Ninguém merece!

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A reacção chegou aos escaparates. Imaginem que a cultura é um lindo prato de canapés recheados com molho bechamél. Pois bem, a contracultura é um pires de moelas ao lado de uma chouriça embedida em sangue pronta para assar. Ligeiramente diferente, mas como a minha mãe diz, há que comer de tudo. Apresento-vos o novíssimo blogue do Ilídio Marques, adepto confesso das coisas boas da vida, art rocker por vocação, revivalista por natureza (há quem diga que ele nasceu 50 anos mais tarde do que o previsto), destabilizador da ordem pública nos tempos livres e indivíduo que usa sempre os dois lados do rolo higiénico para economizar papel.
Há uns tempos ele manifestava-me a sua apreensão em ser agredido na rua, fruto da celeuma que iria provocar. Eu acalmei-o e respondi que sim, ele iria ser agredido mas por motivos diferentes. É que ninguém merece uma concorrência tão feroz na blogosfera.
Bem, chega de fazer de escovinha e toca a adicionar o Contra cultura nos favoritos.

19
Abr
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Saga, coisas que gostava ter escrito

Uma das coisas que mais me diverte nas patacoadas e mitos de heróis beatos e histórias da carochinha, com príncipes encantados e lobos maus é a facilidade com que a população em geral alinha nessas construções sociais. E a consequente dificuldade em aceitarem que muitos vultos e estrelas elevadas ao altar são comuns mortais como nós. Comem, vomitam, choram e cagam como nós. E na senda faliciosa dessas vidas, nós preferimos idealizar à nossa maneira do que encaixar o choque que nos expõe à verdade. São os tais mitos urbanos que muitas vezes só servem para distrair. E que servem de publicidade para alguns beneficiários que se alimentam dessas estórias. Todos nós conhecemos, mil e uma lendas à volta do Ozzy, dos Mötley Crüe ou dos Zeppelin. Lendas que na nebulosidade da sua natureza nunca foram confirmadas. Pessoalmente sempre desconfiei das biografias autorizadas e tenho razões para tal.
Serve isto para eu babar num texto escrito à uns tempos por um iluminado devasso, de graça Tiago Galvão, que desmonta o conto de fadas a que foi votada a vida de um dos maiores ícones do século XX. Frank Sinatra, foi dono e senhor de uma das maiores vozes sempre. Mas era também um racista, um misógino, um boémio decadente. Adorei este texto que encontrei aqui, depois de alguma pesquisa na net. Deixo-vos, então, com o que interessa.

Sinatra e as mulheres.

41rszx5m2vl_ss500_1George Jacobs era escarumba, judeu, mordomo de Frank Sinatra e o último dos Rat Pack. Em Mr.S The Last Word On Frank Sinatra esmiúça os pormenores mais sórdidos da relação de Sinatra com JFK, a Máfia e sobretudo as mulheres: Ava Gardner, Kim Novak, Natalie Wood, Sophia Loren, Grace Kelly, Lauren Bacall, Marilyn Monroe, Mia Farrow, senhoras prostitutas, quecas e semi-estrelas. Joe Kennedy, pai de JFK, que torceu e apostou em Hitler durante a Segunda Guerra Mundial e era famoso por contar anedotas aos amigos (‘Sabes qual é a diferença entre uma pizza e um judeu? A pizza não chora a caminho do forno’), enriqueceu primeiro a vender álcool durante a proibição, depois com um estúdio em Hollywood e por último com o jogo, casinos e afins em parceria com a máfia que particionou a eleição do filho. Através de Sam Giancana (padrinho de Chicago), convidou Sinatra e os Rat Pack para a campanha de JFK, o que lhes valeu os votos de milhões e milhões de pré-hippies. Aliás, Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis, Jr. e companhia começaram por se chamar O Clan, mas isso era demasiado parecido com Ku Klux Klan e durante as eleições mudaram para Rat Pack. Se contarmos que no dia das eleições JFK ainda estava empatado com Nixon e que a máfia tinha pessoal espalhado por toda a América cuja especialidade era ‘falar com pessoas’, podemos dizer que Sinatra e a máfia puserem Jack Kennedy na Casa Branca. JFK e Sinatra estavam unidos pelo melhor amigo, Jack (Jack Daniels), e o ‘been there, fuck that’. Chegaram a partilhar Marilyn Monroe e Judy Campbell, uma Elizabeth Taylor menos atarracada e prostituta de Sinatra. Que preferia as profissionais (chegavam, viam, chupavam e iam embora sem fazer barulho) às amadoras (gostavam de falar depois do sexo sobre o ‘depois do sexo’ e Sinatra só tolerava ser acordado por um broche; seguia a filosofia ‘blow me or blow out’). Ava Gardner foi o grande amor de Frank Sinatra. Tinha tudo: pernas, cara, inteligência, sentido de humor, mamas que constituíam uma excepção às leis de Newton, e aqueles olhos de lince. Num mundo perfeito, Ava Gardner seria uma prostituta que eu poderia pagar. Durante duas décadas, mais de 10 anos após o divórcio, milhares de prostitutas (uma por noite, todas as noites), centenas de estrelas em ascensão através do broche, Lauren Bacall e Marilyn Monroe, Sinatra continuaria apaixonado por Ava. Todas as canções eram para ela. Tudo o que fazia, para a reconquistar ou esquecer. Se Humphrey Bogard era o seu ídolo e Puccini o seu compositor, Ava Gardner era a sua musa. Um antigo agente de Hollywood (Swifty Lazar) costumava dizer: ‘todos os falhados são porreiros porque têm tempo para ser porreiros’. E como Sinatra até quando estava em cima estava em baixo (e quando estava em baixo, estava mesmo em baixo), era a definição de um tipo porreiro, ou seja, um falhado, mas um belo falhado. Nunca jantava antes da 1:00. O pequeno-almoço não era a refeição mais importante do dia porque simplesmente não era refeição, nunca se levantava antes das duas e toda a comida era sintetizada à italiana. Gostava de largar piadas nos amigos arraçados: ‘O que é longo e duro num preto? A terceira classe’. Kim Novak, a primeira grande estrela depois de Ava, tinha as coxas demasiado abrutalhadas e perdeu-a para Sammy Davis Jr. que quase a perdeu para a própria vida quando esta o deixou. Descobriu Natalie Wood quando esta era (bem) menor. Mais tarde viria a casar com Chaplin e Roman Polanski, mas foi com Sinatra que teve ‘aulas de canto’. Andou com Sophia Loren, mas ainda amava Ava Gardner e ela era daquele tipo de mulher que queria ser sempre a número um. Grace Kelly escapou à primeira, enquanto faziam um filme juntos com Bing Crosby (um dos poucos homens que intimidava Sinatra), mas não à segunda. Quando descobriu que o seu mordomo e o príncipe do Mónaco, marido de Grace, se davam bem, costumava mandá-lo entreter o príncipe enquanto ele tirava o pó à prata do reino. Depois de Bogard morrer, Sinatra decidiu cuidar dos despojos e começou a sair com Lauren Bacall. Estiveram juntos um ano, mas também não deu certo. Tinha ciúmes de Ava, a quem Sinatra ligava todas as semanas e de quem tinha fotografias espalhadas pela casa. Acabou com ela pelo telefone. Marilyn Monroe amava-o, mas era uma porca suicida. Passava semanas com a mesma roupa, recusava-se a usar tampões quando vinha o demónio, menstruava-se na cama e emborcava soporíferos como se fossem pilas. Mia Farrow era uma Julia Roberts ainda mais avacalhada com peito à Kate Moss. Era uma Ava Gardner ao contrário, sem corpo, sem classe, sem sentido de humor, hippie e, como dizia Dean Martin, mais nova do que o seu Scotch. Mas deu em casamento. E como todos os casamentos, em divórcio. Ela queria ter filhos e isso, para Sinatra, era como uma sopa de minhocas para um germofóbico. Mas por causa de Farrow, também acabou a relação de duas décadas com o seu querido escarumba (como costumava tratá-lo) e leal amigo, George Jacobs, o mordomo. A sua última mulher foi Barbara Marx, casada com Zeppo Marx, o único dos irmãos Marx que não tinha piada. Esteve com ela desde 72 até à sua morte, em 98. Jacobs chegou a perguntar-lhe o que via nela: ‘Grace Kelly, quando fecho os olhos’. Quando se reencontraram, anos mais tarde, por breves segundos à porta de um hotel, Jacobs começou a chorar. Antes de o deixar, Sinatra pousou-lhe a mão no ombro: ‘Esquece isso, miúdo’. by Tiago Galvão.




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