Concordo quando afirmam que com a morte de Pollack desaparece também uma forma de sentir o cinema e aquela ténue esperança de fundir “Hollywood” com “Cannes”. Vindo do seio de um cinema de tradição clássica enraizada por uma forte moral litúrgica e romântica que passeava por campos e savanas, Sydney Pollack tinha aquele dom ancestral dos velhos realizadores norte-americanos dos 70ies, ao encher a tela manipulando a atenção do espectador com pouco alarido, sem grandes frissons de narrativa e acção, com pouca coisa ou quase nada. Ficam as suas duas obras-primas como testemunho da sua grande contribuição para o cinema e como certificado de entrada em qualquer hall of fame: “ They shoot horses. Don’t they?” e “The Interpreter”.
O que, diga-se de passagem, para o abrupto desaparecimento do cineasta e ao luto instalado, não atenua o constrangimento.
31
Mai
08

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