Arquivo de Maio, 2008

31
Mai
08

Sydney pollack (1934-2008).

Concordo quando afirmam que com a morte de Pollack desaparece também uma forma de sentir o cinema e aquela ténue esperança de fundir “Hollywood” com “Cannes”. Vindo do seio de um cinema de tradição clássica enraizada por uma forte moral litúrgica e romântica que passeava por campos e savanas, Sydney Pollack tinha aquele dom ancestral dos velhos realizadores norte-americanos dos 70ies, ao encher a tela manipulando a atenção do espectador com pouco alarido, sem grandes frissons de narrativa e acção, com pouca coisa ou quase nada. Ficam as suas duas obras-primas como testemunho da sua grande contribuição para o cinema e como certificado de entrada em qualquer hall of fame: “ They shoot horses. Don’t they?” e “The Interpreter”.
O que, diga-se de passagem, para o abrupto desaparecimento do cineasta e ao luto instalado, não atenua o constrangimento.

31
Mai
08

Entre um horizonte e um pixel.

Uma das razões pela qual a obra do Eça é intemporal.

28
Mai
08

O canto de cisne dum Teatro.

Em mais uma publicação da rubrica Estudos Gerais, trago-vos informações relacionadas com a comunicação externa no Teatro de Vila Real, um dos baluartes da cidade e referência nacional pela adesão recorde dos Transmontanos que ao que parece se reconciliaram com a cultura e memória histórica desta mítica cidade. Para os que não a conhecem, aconselho uma visita, para os que já conhecem fiquem a saber quais são as estratégias de difusão do Teatro Municipal de Vila Real:

Continue a ler ‘O canto de cisne dum Teatro.’

26
Mai
08

Retrospectiva do Som e da Imagem.

Coordenado pela empresa municipal Culturval, o aparecimento deste equipamento ganha dimensão nacional não só pelo inquestionável valor museológico mas também pelo facto de que só Melgaço e Leiria possuem obras similares ao nível das bases apresentadas. Em suma, um museu divertido, atraente, exemplar e seguindo uma orientação passadista com os olhos postos no futuro. Porque para um melhor entendimento do presente e do futuro tem de haver sempre um respeito e consideração da memória colectiva.

24
Mai
08

Cinema sem pipocas – o Lado selvagem.


Título original: Into the wild

Ano: 2007

País: EUA

Género: Drama, Aventura

Distribuidora: Lusomundo

Realização: Sean Penn

Intérpretes: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Catherine Keener, Vince Vaughn, Kristen Stewart

 

Sinopse:
Into the Wild é baseado numa história verídica e no bestselling literário de Jon Krakauer. Depois de se graduar na Universidade de Emory em 1992, Christopher McCandless (Hirsch), estudante de topo e atleta, abandona as suas posses, oferecendo as suas poupanças de 24 mil dólares à caridade, para ir viver para o Alasca. Ao longo do seu caminho, Christopher encontra uma série de personagens que dão forma e sentido à sua vida.

02-Jun | Pequeno Auditório | 22:00 | Geral: 5euros | > 65; < 25; estudantes: 3,5euros

Cineclube: Cinema sem pipocas.
Organização GACU / Teatro de Vila Real

 

24
Mai
08

momentos musicais de 2007… V.

“All the love” – Ulver

24
Mai
08

Um percurso fotográfico.

“Hoje é impensável um mundo sem fotos – elas ganharam por mérito próprio um espaço insubstituível nas nossas vidas.” Assim, nos introduz Duarte Carvalho à sua exposição residente no Museu de Arqueologia e Numismática de Vila Real (MANVR), a decorrer entre os dias 10 de Maio a 29 de Junho.

Depois do relativo sucesso que foi a exposição pretérita, “A morte: Ritos e Artefactos” que tratou de enunciar a relação de Trás-os-Montes com o momento fúnebre, as galerias secundárias cedem agora o seu espaço para o mais recente trabalho do fotógrafo radicado em Vila Real, Duarte Carvalho. Na realidade, “Imagens de um percurso” – assim se denomina a patente – é, sobretudo, um olhar singular, um exercício de associações e descrições deliberadas pelo artista. A fotografia depende muito do momento, daquele feeling, da efeméride sagrada que a vida nos proporciona. O que aqui vemos é a exteriorização das sensibilidades captativas num enfoque variado e subtil.
Dividido em três sectores, o espólio bastante rico e variado de Duarte Carvalho atravessa bastantes tendências o que, de sublinhar, não confere grande interesse ao autor. Mesmo assim, as experiências e os diferentes estilos estão lá. Chegados ao hall de entrada deparamo-nos surpresos com uma saga, uma obsessão de Fábio Timor em penetrar o casebre, deixando testemunho em forma de gabardina amarela. Entusiasmados pelo vanguardismo deixamo-nos percorrer pelas memórias que teimosas insistem em resistir pela objectiva do artista. Aqui na pequena galeria, a face telúrica e tradicional dá um ar da sua graça num toque muito pessoal de Duarte Carvalho. O sentimento (saudade?) dos que já não estão e o leve sussurro da fotografia invade subitamente o espectador. A foto não é só documento. A foto é uma história.
Por fim e contemplando a grande sala da exposição, percorremos os rostos, os instrumentos, as angústias, os medos e gostamos do que vemos. O impressionismo rebelde do autor é nos comum. São as suas realidades “congeladas”. Uma intencionalidade estética bastante pessoal que emociona mesmo que não se compreenda. Tecnicamente, umas melhor que outras mas isso é o “pão nosso de cada dia” de qualquer autor. Mas nota-se uma disciplina do olhar.
Chegados ao final desta viagem, atribuímos a nossa chancela e qualidade à exposição. “Imagens de um percurso” é algo que só é entendido com a alma. E Duarte Carvalho, orgulhoso dissidente das escolas artísticas, coloca-a toda nas suas imagens. Já que, “o fotografo não fotografa o que vê. Mas como vê.”

23
Mai
08

Paranoid Park – review.

Título original: Paranoid Park
De: Gus Van Sant
Com: Gabe Nevins, Daniel Liu, Taylor Momsen
Género: Drama
Classificacao: M/12
EUA/FRA, 2007, Cores, 85 min.

 

Que fique bem claro que não o achei fantástico ou impressionante. Mas o risco, a presença e a dimensão que Gus van Sant atinge, deixa-o como um dos melhores de 2007. Um filme que artisticamente fala por si.

Continue a ler ‘Paranoid Park – review.’

23
Mai
08

O papel do musical e sua história.

Desde a inevitável Grécia Antiga, berço da cultura e do teatro, que se desenvolve esta espécime de interpretação onde os artistas e cenas faziam correlações entre o teatro e a música. Esta arte híbrida exigia ao executante tanto de interpretação dramática como de melodia e a harmonia vocais.
O próprio termo orquestra significava o espaço entre a cena e o público nos anfiteatros gregos, onde os treinos e preparação eram feitos pelos coristas, responsáveis pela condução da narrativa.
Mas o género músico/teatral nasceu, de facto em Florença no século XVI, que de uma maneira formal e rígida conciliava esta fusão entre voz e movimento.

Continue a ler ‘O papel do musical e sua história.’

23
Mai
08

Entre um horizonte e um pixel.

E no final, quem sofre é o “mexilhão”.

23
Mai
08

Ainda se o “p” fosse realmente embora.

Glosa para José Pacheco Pereira

são sentimentos humanos,
eu na alma hei-de pôr luto:
o abrupto hoje faz anos,
não pode ficar “abruto”!

não deve viver-se à míngua,
neste nosso dia-a-dia,
de prezar a ortografia
que bem calha à nossa língua.
se lhe dão facadas, vingo-a,
passo logo a fazer planos,
eriçado por tais danos,
de lavrar o meu protesto,
e se assim me manifesto
são sentimentos humanos.

chamo então especialistas,
eminentes professores,
os colegas escritores
e também vários linguistas,
leio livros e revistas,
questiono, leio, escuto,
e aprendendo assim refuto
coisa que é tão aberrante
que se acaso for àvante
eu na alma hei-de pôr luto.

grafias facultativas
em matérias tão sisudas
como as consoantes mudas
levam ao caos, às derivas,
às asneiras permissivas
e aos babélicos enganos.
porém fiquemos ufanos
pela data que hoje passa.
pois não sabiam? tem graça…
o abrupto hoje faz anos…

se lhe tirassem o p,
vigorosa consoante
do seu título, bastante
mal faziam, já se vê.
e percebe-se porquê
sem se gastar um minuto:
se do p ficar enxuto,
vão-se a força e a coragem
abruptamente da imagem:
não pode ficar “abruto”!

by Vasco Graça Moura

23
Mai
08

A piadola.

Ainda que peque por tardio, o meu comentário assiste-se pela curiosidade que me despontou este artigo do público. Ora vejam o seguinte vídeo:

Uma apresentadora de televisão alemã foi despedida por ter usado uma expressão nazi em directo. Quando um espectador disse que estava com pressa porque tinha de ir trabalhar, Juliane Ziegler, 26 anos, atirou: “Tem que mostrar um pouco mais de entusiasmo… O trabalho liberta!”. A expressão original, Arbeit Macht Frei, estava inscrita à entrada dos campos de concentração nazis. Quando se deu conta do que tinha dito, Ziegler soltou uma gargalhada nervosa, perante o silêncio da sua colega. A jovem apresentadora desculpou-se pouco depois: “Disse uma coisa há pouco sem pensar (…) Este programa é em directo e eu disse uma parvoíce”.

Continue a ler ‘A piadola.’

18
Mai
08

Momentos musicais de 2007… IV.

“Rails to the river” – Ghost Brigade

18
Mai
08

Grandes vídeoclips.

Por uma razão ou outra, estes foram os melhores videoclips que eu alguma vez vi. E embora hajam algumas bandas que são mais propensas a fazer de um vídeoclip um pedaço de arte (Sigur Rós, Nine inch nails, Chemical Brothers) decidi fazer uma lista dos mais bizarros, originais e chocantes videoclips. Alguns por critérios de combinação com a música.
Fiquem então como as minhas escolhas. 

 

(em construcção)
18
Mai
08

Perspectiva histórica da educação bilingue, nos EUA.

A realidade a que muitos chamam de nova, da importância na aprendizagem de línguas estrangeiras, hoje em dia, deu um grande passo virando quase senso comum.
É da maior relevância o papel da língua na comunicação social, num tempo dominado pela globalização, pela notícia e pelo conceito de cultura reciclável. O mundo funciona mais rápido, ou assim o parece.
Indissociável do tema da linguagem e sua convivência cultural, estão sem dúvida os Estados Unidos da América que pela sua diversidade étnica e humana, reflectem o seu pluralismo e riqueza mas que por outro lado gera uma crise de identidade nacional e especificamente linguística que atravessa os seus 50 estados e atormentando o seu futuro.

Continue a ler ‘Perspectiva histórica da educação bilingue, nos EUA.’

18
Mai
08

O Sonho de Cassandra – review.

O Sonho de Cassandra
Título original: Cassandra’s Dream
De: Woody Allen
Com: Colin Farrell, Ewan McGregor, Sally Hawkins, Hayley Atwell
Género: Drama/Comédia
Classificacao: M/16

EUA/UK, 2007, Cores, 108 min.

 

Ao pensar o filme (Woddy Allen) com estilo próprio e com a importância de uma obra factual, faz com que tudo bata certo com graça e volúpia num limbo entre o filme de autor e o de massas.

Continue a ler ‘O Sonho de Cassandra – review.’

17
Mai
08

O Antídoto.

“E se fizéssemos um livro e um disco como nunca se fez?” E fizeram. Duas das entidades culturais mais significativas deste país juntaram-se num projecto ímpar reunindo as mais vastas impressões, receios e inspirações que acalentam, sob o signo antídoto. Entre a gélida Escandinávia e o Sul do mediterrâneo os actores deste projecto concentraram esforços e seduzidos por uma forma comum de ver as coisas, produziram uma obra pioneira e primordial. O que é o antídoto na recepção do binómio Moonspell/J. L. Peixoto? Pode ser tudo sem ser nada. Aquela sede primária, vital e obsessiva num cenário de afogamento letal e triunfante. O último e grande suspiro que se liberta de um moribundo. Um grito mudo e visceral, rompendo um silêncio que nos sufoca. A capacidade de escolher a nossa “verdade”. A liberdade de ceder essa “verdade” aos outros.

Continue a ler ‘O Antídoto.’

17
Mai
08

shot da semana #4.

“O PSD precisa dum banho de moralidade nesse aspecto – os saltapocinhas parmanentes da política têm que descansar e comigo isso vai acontecer. Podem ter a certeza e as distritais vão ter que se convencer disso. Isto não é uma questão de lugares nem de poder, eu tenho essa grande vantagem: já provei dos cargos todos que esses senhores andam atrás.” (…)

“Acha que Jardim cumpre a tal cartilha de deveres de que fala? Ele diz que, quem quer que ganhe o partido, vai perder com Sócrates.
Alberto João Jardim é líder do PSD Madeira, que tem um estatuto autónomo e nas horas essenciais tem contribuido para as vitórias do partido. Claro que ele, como qualquer militante, tem direitos e deveres, mas tem uma grande, grande, coluna de crédito no partido.” (…)

“É preciso ter um caminho. Passos Coelho deve começar por se candidatar a uma câmara.” 

 

Entrevista de Santana Lopes,in Expresso.

Santana Lopes e o seu mais recente código de conduta para o partido:

  • acto de contricção político ou vejam antes a experiência que o homem tem; 
  • triagem de “crédito” dentro do partido; 
  • carreirismo político e subsequente política mercenária. 
Tirem as vossas próprias conclusões. E não se esqueçam de ler a entrevista completa. É delirante.
15
Mai
08

momentos musicais de 2007… III.

“23″ – Blonde Redhead.

14
Mai
08

Achas que o jornalismo on-line vai substituir a imprensa em papel?

Esta é a pergunta que se impõe e que tem levado ao impasse da nova geração de jornalistas que materializa toda a frustração na continuidade dos seus futuros à frente das redacções e a ameaça invisível do trabalho precário e escassez de vagas. Numa amena troca de palavras, discutiu-se a presença dos suportes multimédia no exercício jornalístico moderno à conversa com alguns colegas meus da universidade, na disciplina de Economia política dos Media. Contraditório, múltiplas perspectivas e aditamentos é o que nos reserva este debate que vos transcrevo de seguida. Aproveitem:

Continue a ler ‘Achas que o jornalismo on-line vai substituir a imprensa em papel?’

10
Mai
08

E eu lembrar-me-ei de ti.

lembra-te

Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos

Mário Cesariny

10
Mai
08

Entre um horizonte e um pixel.

Esta é a minha candidata “laranja”, nas próximas directas.

10
Mai
08

Banda sonora de uma descida de divisão.

10
Mai
08

Multiculturalismo Identitário e os Dilemas Étnicos nos EUA.

Ao confrontarmos os estudos étnicos e plurilinguísticos nos Estados unidos, neste virar de milénio e com as afirmações grupais de minorias cada vez mais audíveis no que à igualdade e reconhecimento epistémico concerne, denotamos um espaço contraditório de múltiplas posições opostas entre dois discursos dominantes e que perseguem os destinos sociais da América, desde Lincoln, passando por Luther King, Kennedy ou mesmo os Hippies, até, se quisermos, à desconfiança actual para com as populações Muçulmanas e do norte de África, facto generalizado pelo terrorismo religioso.

Continue a ler ‘Multiculturalismo Identitário e os Dilemas Étnicos nos EUA.’

10
Mai
08

O que de melhor se escreveu por aí, em Abril.




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