«O acto de apontar o dedo (Media) é uma das mais dignas e difíceis missões cívicas, dentro de um Estado de direito. (…) O jornalista necessita perceber quer ser limitado de um ponto vista funcional, é também uma qualidade do jornalista. (…) O político não estará obrigado a contestar a qualquer pergunta. Pode contorná-la ou no máximo, omitir a resposta.»
by Miguel Portas
Ainda na ressaca da passagem do bloquista pela minha universidade, convém dissertar por alguns momentos as suas palavras, idas ao encontro do papel do jornalista na sociedade, arrogadas pela surpresa e heterodoxia com que foram proferidas a algumas dezenas de formandos na especialidade.
Se a primeira parte da pergunta ainda levantou alguma consenso nas hostes, o que faltava de polémica e discórdia revelou-se por entre fracções de palavras que pouco combinam como «limitado» e «jornalista» ou «político» e «omissão». E o caso não foi para menos, embora não seja um indefectível das suas teorias Miguel Portas só veio teorizar a prática corrente. O jornalista não precisa de ultrapassar nem ser ultrapassado pelo busílis do seu trabalho. Na mesma linha, o político moderno que ainda representa os valores adquiridos de uma democracia republicana (e nisto gostava de ser bem explícito) não necessita, nem deve se dispôr a um interrogatório inconclusivo, desnorteando a sua “verdade partilhada”, devendo isso assim assumi-la e defende-la usando as ferramentas possíveis e contempladas no seu rol de direitos.
Terminando, nem tudo o que parece é. E se do lado do jornalista o papel é escrutinar e dissuadir a seu favor o político no seu papel social, não podemos exigir a estes que se fragilizem dando o corpo às balas de qualquer inquiridor.
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