Desde sempre que a humanidade, por via de estereótipos sociais e religiosos, estabeleceu correlações putativas entre conceitos, tendo em vista a harmonia e o que os gregos chamavam de Ética e conduta durante a vida. A falácia mais natural dentro destes termos foi sempre em conjugar a beleza com a bondade - o bonito e o bom, como se estas fossem deliberações divinas, partes de um mesmo corpo imunes ao grotesco, ao feio, ao disforme e logo ao horrível, ao imperfeito, à contradicção da própria conduta humana. Protagonista de alguns dos melhores filmes de terror clássico da história do cinema, como o Corcunda de Notre Dame (no qual ele retrata a sua personagem, no texto a seguir), The Phantom of the opera ou The Mask of Love, Lon Chaney surpreendeu-me com estas palavras revelando que mesmo para as suas terríficas interpretações a sua inspiração vinha do carinho e dedicação que recebia e que dava aos que amava. Um incompreendido, no seu tempo.
Confissões de um homem, que bem além do seu estatuto de marco geracional do cinema mudo ou de ter feito uma das mais brilhantes carreiras na Hollywood dos anos 30, apenas quis dedicar a vida aos seus… ”amigos”:
“O que eu queria era relembrar as pessoas que os mais baixos tipos de humanidade podem ter, nos seus corações, a capacidade para realizar um supremo auto-sacrifício. Seja o anão, seja o mendigo deformado das ruas, eles podem ter os mais nobres ideais. Eu tenho estado actualmente em contacto com essas pessoas, os cães vadios, os piores resíduos de humanidade… um contacto que, provavelmente, muitos de vocês que estão lendo isso nunca tiveram. Quando tu vês uma criatura deformada ou miserável, instintivamente foges dela. Os teus filhos têm medo dela. Adolescentes podem goza-la e insultá-la. Mas que é que vocês conhecem sobre ela, verdadeiramente? Pensa que ela, como o meu Corcunda de Notre Dame, pode estar simplesmente a desejar ‘entregar sua vida por um amigo’“.
by Lon Chaney
(continua…)
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